Copagril
Editorial

É fake

Acreditar em tudo que se lê, assiste ou ouve é uma grande ignorância. Acreditar em tudo que se quer acreditar, com atitudes carregadas de conceitos previamente estabelecidos, geralmente para o mal, também é. Com a morte da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, choveram informações falsas sobre a vida da vítima. Foi alvo dos disparos e, depois de morta, foi alvo de notícias falsas, as chamadas fake news. Nas redes sociais, muita gente espalhou essas notícias indiscriminadamente, sem levar em conta os parâmetros jornalísticos e a credibilidade de quem disseminou notícias falsas.

As fake news não são novas. Elas, por exemplo, influenciaram as últimas eleições nos Estados Unidos. Todos os dias, são disparadas e povoam as redes sociais de milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Geralmente, causam discórdias, denigrem, assustam e movimentam o ódio e a mentira. Por isso, é de suma importância que as pessoas se informem por meio de veículos de comunicação de massa de credibilidade. Antes de enviar qualquer material para seus grupos e amigos, antes de compartilhar “notícias”, é preciso ter certeza de que aquilo é verdadeiro, para começo de história.

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

A comunicação de massa deixou de ser feita por algumas empresas e passou a ser feita pela massa. Todos hoje podem publicar. Uns publicam as fotos do fim de semana, outros dizem que estão tristes, outros ainda se posicionam sobre temas diversos, mas há aqueles que publicam mentiras, enganam e, por conta do frenesi da internet, as coisas fogem do controle – aliás é o objetivo de quem posta fake news. E tudo vira um caos. Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, pelo menos por algum tempo suficiente para causar estragos inimagináveis e, por vezes, irreparáveis.

Todo cidadão precisa estar atento ao que entra e sai do seu celular, do seu computador. Muitas vezes, por falta de conhecimento ou mesmo porque os dedos automáticos tomam o espaço do cérebro, do raciocínio e da razão, as pessoas enviam e compartilham notícias falsas. Os mais informados as leem, mas as descartam se não encontram essas informações em sites, jornais ou rádios evidentemente comprometidos com fatos, não com invenções. O cérebro engana, especialmente aos desatentos.

Quando um leitor observa uma notícia nas páginas de um jornal, ele está vendo muito mais do que informação. A notícia é o produto final de um trabalho feito a muitas mãos, com responsabilidade e profissionalismo, respeito ao leitor e às fontes, e compromisso com a verdade. Reportar exige profissionalismo e retidão.

Dos tipos móveis de Gutemberg ao WhatsApp muita coisa mudou. Há 500 anos era difícil encontrar livros, hoje as informações estão acessíveis em tempo real. No entanto, é preciso separar o joio do trigo, saber o que é fato e o que é boato. Para cada publicação, há uma responsabilidade inerente. Ela não pode ser negligenciada um minuto sequer.

Quem publica qualquer coisa pode estar sujeito a errar, prejudicar e até destruir a vida de alguém. Portanto, pense bem antes do próximo clique.

TOPO