Copagril
Dom João Carlos Seneme

Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim a Sua vontade

A fé eclesial, contemplando Maria a partir do Mistério Pascal de Jesus, professa que ela, no término de sua caminhada terrestre, foi elevada ao céu. A Igreja fala em assunção, ou seja, Maria foi assumida por Deus e colocada na glória celeste. Trata-se da ação de Deus fazendo grandes coisas na vida da mãe do Salvador. Não uma ação isolada, e sim, o ápice de uma sucessão de graças na vida de quem foi cheia de graça.

A assunção situa-se no contexto da fé de Maria. Ela havia proclamado que Deus exalta os humildes e destrói a segurança dos soberbos. Sua vida caracterizou-se pela humildade e pelo espírito de serviço. Ela se sabia serva humilde do Senhor, transcorrendo sua vida no escondimento. A condição de mãe do Messias não a tornou orgulhosa e cheia de si. A Maria exaltada na Assunção foi a mulher humilde e servidora. Deus levou para junto de si a mulher cuja vida transcorrera em total comunhão com ele.

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A vida e a missão da Virgem Maria estão intimamente ligados ao projeto salvífico de Deus. Na espiritualidade cristã Maria é “modelo” de fidelidade ao desígnio de Deus e, assim, ela assume o papel de ser “mãe” e “mestra” de cada cristão. A vida de Maria e seus mistérios são incompreensíveis sem uma conexão imediata e direta com o a vida e a missão de Cristo. Ela se torna ponto de referência para os cristãos como símbolo da verdadeira discípula missionária. Neste sentido, o mistério da Assunção de Maria só é compreensível a partir da morte, ressurreição e glorificação de Cristo e do desejo humano de que a vida continua depois da morte. A mensagem desta festa nos afirma que vale a pena viver, sofrer, trabalhar e enfrentar todo tipo de adversidade porque todos teremos um final feliz junto de Deus.

O encontro de Maria com sua prima Isabel é para nos um modelo de serviço. Isabel, cheia do Espírito Santo, a saúda e chama de Mãe do Salvador. A resposta de Maria é exaltar o Senhor pelas maravilhas que está realizando em sua vida e na vida de todos. Vemos um coração generoso e disponível. O Magnificat é o testamento espiritual de Maria a todos os seus filhos e filhas. A Igreja de todos os tempos se identifica com Maria e continuar a rezar, todos os dias, o seu canto de agradecimento e louvor.

O dogma da Assunção de Nossa Senhora foi proclamado pelo papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e exprime o último dom que Cristo quer dar à Sua Mãe, como se quisesse agradecê-la por sua inteira disponibilidade em colaborar com Ele na obra da glorificação de Deus e na redenção da humanidade. O privilégio que é dado à Maria com a Assunção ao céu revela que Deus quer antecipar o que acontecerá com todos aqueles que creem em Jesus Cristo e o seguem de perto, procurando realizar aqui e agora o Reino de Deus.

Nesta festa tomamos consciência da ressurreição de Jesus e da elevação de Maria aos céus pela misericórdia de Deus. Ela soube como ninguém acolher a salvação que lhe foi oferecida pelo próprio Filho e alcançou a vida eterna. Sofreu junto da cruz a injustiça e a dor de perder seu Filho, partilhou conosco a possibilidade de todos serem salvos e viverem a vida em plenitude se acreditarem que Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Ela nos convida a caminhar na vida com esperança.

Por isso neste dia, a Igreja do Brasil celebra a vocação de todos os religiosos e religiosas porque Maria é modelo para todos os cristãos e, de modo particular, daqueles que colocam o Ressuscitado no centro de suas vidas de modo a segui-lo de perto na radicalidade de uma vida a serviço de Deus e dos pobres. Hoje, mais do que nunca, é uma vocação necessária para o mundo porque elas e eles sinalizam que existe este modo todo especial de viver a vida seguindo os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Num mundo tão marcado pelo hedonismo, egoísmo, vemos estes exemplos de vida e de doação.

Que Maria, evangelizada e evangelizadora, acompanhe com sua proteção e carinho todas as religiosas e religiosos de nossa Diocese. Obrigado pelo bem que fazem e o testemunho de amor que oferecem no meio de nossas comunidades.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

 

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