Arno Kunzler

Eleição mais polêmica

Eleição sempre é palco de embates, discussões acirradas e, às vezes, discussões violentas.
Talvez esta tenha sido a eleição mais polêmica que o município de Marechal Cândido Rondon já vivenciou.
Primeiro porque de repente tivemos seis candidatos a prefeito, número recorde. Essa diversidade por si só já foi um fator interessante, pelo menos o eleitor tinha como escolher, inclusive se divertir com algumas candidaturas menos sérias.
Depois, a cassação da candidatura do Dr. Fumagali em instância superior, ou seja, irreversível. Até então ele era o segundo colocado em todas as pesquisas de opinião.
Se esse não é um fato inédito, pelo menos foi de grande repercussão, dada a postura polêmica do vereador Fumagali e seu envolvimento com inúmeros debates acalorados, tanto na Câmara como fora dela, sem contar sua disposição de lançar o filho Rafhael, o que dividiu seu partido, o PSC.
Depois a cassação da candidatura do prefeito Moacir e seu vice Cottica.
Até então eles tinham sempre mais de 55% das intenções de voto, pelo menos das pesquisas que foram tornadas públicas, ainda que para um público restrito.
Quando todos imaginavam que haveria substituição da candidatura, eis que o prefeito Moacir vai até o fim, apostando que faria mais de 50% dos votos e, com isso, mesmo havendo confirmação da cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), haveria nova eleição.
O fato foi marcante e mexeu com os nervos da campanha.
Moacir corria risco de não assumir e Fumagali, o então segundo colocado, estava fora. Logo, todas as atenções se voltaram para o terceiro colocado nas pesquisas, que acabou sendo o segundo mais votado: Vitor Giacobbo.
Um novo susto aconteceu quando o Tribunal iniciou a apuração dos sufrágios e considerou os votos de Moacir e Cottica nulos.
Parece que naquele momento o mundo desabou sobre muitas cabeças e imediatamente veio a pergunta: por que não houve a troca de candidato?
Teria Moacir e Cottica colocado tudo a perder, numa eleição ganha, até com certa facilidade?
Caso semelhante inclusive havia acontecido em Palotina, onde os candidatos foram trocados duas vezes e mesmo assim o grupo venceu a eleição.
A partir disso houve um acirramento de ânimos e muitas dúvidas sobre quem seria de fato o prefeito a ser diplomado e que assumiria a prefeitura em janeiro.
As dúvidas, inclusive, eram tantas que uns achavam que poderia ser diplomado um prefeito e outro assumir no dia 1º.
Com os olhos voltados ao TRE, os políticos apostaram suas fichas na decisão dos desembargadores.
Os dias seguintes pareciam uma eternidade, enquanto na prefeitura se começou viver a expectativa de dois cenários.
Afinal, se o TRE não tivesse decidido antes da posse, assumiria Vitor Giacobbo e então deveria haver transição e troca de prefeito com toda complexidade que isso representa.
Mas enquanto não havia decisão, também não haviam iniciativas, tanto por parte de um grupo como de outro.
E a pergunta que mais se ouviu desde o dia 07 de outubro em toda a região foi: quem vai ser o prefeito de Marechal Cândido Rondon?
Claro que ainda existe recurso para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas, a partir de agora, um grupo sabe que vai assumir, ou melhor, continuar na prefeitura e outro sabe que não vai entrar, exceto se o TSE daqui a algum tempo modificar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral, que demonstrou não ter nenhuma dúvida sobre o caso.
Agora cabe a quem venceu promover um ambiente favorável para diminuir a tensão e fazer com que tudo volte ao normal, afinal, a vida segue.

TOPO