Copagril – Sou agro com orgulho
Editorial

Eleitores desgarrados

Mais de 40% dos brasileiros não participaram efetivamente das eleições de 2020. Só de abstenções, ou seja, pessoas que estavam aptas a votar e não o fizeram, foram quase 30% neste segundo turno, o maior percentual já registrado em um pleito eleitoral. Nas eleições anteriores, esse percentual girava na casa de 20%. O restante para completar os mais de 40% é de votos brancos ou nulos. Em muitos casos, brancos, nulos e abstenções somaram mais pessoas do que os votos recebidos por prefeitos eleitos.

Três principais situações podem explicar esse fenômeno de falta às urnas. O primeiro, notoriamente, é o coronavírus. Muitos eleitores não compareceram às sessões eleitorais porque estavam com Covid-19, apresentavam sintomas ou simplesmente estavam com medo de serem infectados durante o pleito. Mesmo com as rigorosas regras de higiene impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral, muitos eleitores não se sentiram seguros e acabaram ficando em casa.

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E o que se viu nos minutos que sucederam o fechamento das urnas deste fim de semana foi absolutamente inaceitável. Multidões de pessoas se aglomerando em festas partidárias, carreatas e palanques. Um desserviço e uma irresponsabilidade daqueles que vão governar as principais cidades brasileiras pelos próximos quatro anos. Ontem (30) o discurso era de ter responsabilidade para combater a pandemia, diferente do que grande parte dos eleitos protagonizou após declarados vitoriosos apenas algumas horas antes.

A segunda situação é o descontentamento com a política. Com tantos crimes cometidos no exercício do poder por tantos atores públicos e uma corrupção sistêmica que não tem fim, as pessoas pararam de acreditar.

A terceira situação é o descontentamento com os candidatos propriamente ditos. Ou seja, as opções podem não ter agradado parte dessa parcela de eleitores.

Fato é que, com o perdão do trocadilho, as urnas dão o seu recado. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, a abstenção nas eleições presidenciais deste ano foi de 30%, ou 10% menor que no Brasil, proporcionalmente.

Ainda, milhares de jovens entre 16 e 18 anos, que também poderiam votar, não foram fazer o título de eleitor. Isso leva a crer que a política não está nos planos de ampla parte da juventude brasileira, o que liga o alerta para a necessidade de aproximação com esse público.

É preciso tornar a política brasileira mais atraente. A primeira coisa a se fazer é melhorar as gestões públicas, empregar melhor o dinheiro dos contribuintes, confrontar a corrupção em todas as suas dimensões, demonstrar transparência e lisura nos processos.

Com uma imagem cada vez mais desgastada, a política brasileira está afugentando sua população. Novas ideias precisam ser pensadas para o futuro. A obrigatoriedade do voto deve ser repensada, pois não adianta obrigar 30% das pessoas a justificar sua ausência e outros 10% a ir votar em ninguém. Perda de tempo, paciência e dinheiro.

 

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