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Arno Kunzler

Em berço esplêndido…

Um Brasil que grita e sussurra nas redes sociais, mas que prefere ficar em casa a levantar-se contra tudo que critica.

Domingo (26) era dia de protestos, mas os brasileiros ficaram em casa.

Sabidamente o grito que vem das ruas, das multidões, é o único que faz eco em Brasília, mas desta vez os brasileiros se mostraram confortáveis em seus lares.

É, sem dúvida, uma mudança de comportamento em relação a dois anos atrás, quando seis milhões de brasileiros pediram o impeachment de Dilma.

E é bom lembrar que a Lava Jato continua em alta perante a opinião pública e Sérgio Moro quase unanimidade nacional.

O que então provoca essa mudança de comportamento?

Basicamente me atrevo a avaliar dois aspectos.

De um lado o Brasil está ansioso para produzir reformas profundas e consistentes na área trabalhista, previdenciária, tributária, judiciário e política.

E vou mais além, acho que o governo mais corajoso para enfrentar essas mudanças é o governo Temer, que não “temer” nem a própria impopularidade.

O governo sabe o que quer e sabe que boa parte dos brasileiros apoiam as suas propostas.

Daí, as opiniões diferentes: nem todos querem acabar com o governo Temer, porque temem que pode piorar.

Todavia, o governo marcha contra um desgaste monumental por conta das acusações de envolvimento com a corrupção de inúmeros de seus integrantes.

A própria permanência de Temer como presidente depende agora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já tem robustas provas contra a campanha de Dilma e Temer.

Resta saber se Dilma será cassada ou ambos.

E é diante dessas acusações que os brasileiros se manifestam, que sentem a necessidade de voltar às ruas para mostrar ao governo sua insatisfação.

Não tenho dúvida: em defesa da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro os brasileiros voltam às ruas quando forem chamados e se, necessário for. Todavia, não há comoção nacional em torno da proposta de cassação do governo Temer, via TSE, e nem do seu impeachment.

Pelo contrário, forças consideráveis apoiam o governo mesmo se desgastando junto com ele.

Temas como a lista fechada não comovem o povo a ir para as ruas até por que a ideia que nos é vendida não necessariamente é a única verdade.

Qualquer que seja a reforma política, vamos ter divergências acentuadas. A única coisa que não pode continuar é a ditadura partidária que vivemos hoje; os partidos precisam se oxigenar internamente com disputas pelo seu comando.

Também não vamos ter unanimidade sobre reforma tributária, nem trabalhista, nem do Judiciário e nem da previdência.

Daí porque o único tema que nos une, quase todos é bom que se diga, é a corrupção, os desgovernos que se sucedem.

E neste momento a população ainda não identificou em Temer um governo a ser abortado, seja por corrupção, por mais que as evidências indiquem que sim, seja por inoperância.

E assim, vimos um domingo de protestos pelo Brasil muito diferente do que há dois anos, quando o Brasil pediu o impeachment de Dilma Rousseff.

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