Copagril
Elio Migliorança

Em estado de alerta

A turbulência política que está atingindo o mais alto nível da história do Brasil criou um clima de apreensão e revolta com a classe política. Envolvida na mais grave crise moral de todos os tempos, a classe política nacional está em estado de calamidade moral. Nem uma usina de reprocessamento de lixo consegue produzir tanta sujeira em tão pouco tempo. Enquanto esperamos que este Brasil esteja em processo de extinção e depois de um processo de depuração surja um novo Brasil e uma nova classe política, precisamos acompanhar atentamente as medidas que estão sendo tomadas e vão afetar a agricultura nacional, ferindo mortalmente nossa maior fonte de sobrevivência.

As notícias vazadas do Ministério da Fazenda sobre o plano para a safra de verão são preocupantes. Há um brutal corte de recursos do seguro rural para a próxima safra. Os recursos para custeio somam o mesmo valor do ano passado, como se os custos de produção não tivessem aumentado no último ano. A reforma previdenciária, que penaliza o produtor rural, vai cobrar o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) mesmo de quem não precisa recolher, porque nunca vai se aposentar por este fundo. Aliás, em tudo no Brasil é tributado o lucro, mas do produtor rural o governo cobra sobre a produção, mesmo que ela tenha dado prejuízo. E aí os agricultores estão perguntando: cadê a bancada ruralista? Por que usam este nome se não estão nem aí com a situação de risco vivida pela classe rural?

Casa do Eletricista ESCAVAÇÕES

Logo a agricultura, que gerou no ano passado mais de R$ 650 bilhões de receita para o governo, está levando esta rasteira, enquanto para bancos e indústrias automotivas nunca faltam recursos, como se vê pelas estatísticas oficiais do governo. A impressão que temos é que os deputados que se intitulam ruralistas só estão interessados em cargos e emendas parlamentares para fazerem política e com isso garantirem sua reeleição.

Além da confusão nacional, os agricultores vivem em clima de apreensão por conta do comportamento do clima durante o desenvolvimento da 2ª safra de milho. O milho está em fase de maturação e a chuva em excesso não permite o amadurecimento adequado do produto, já sinalizando para a perda de qualidade e quantidade. Saímos de uma supersafra de soja, mas os preços despencaram e hoje não cobrem o custo de produção. No ano passado os preços do milho atingiram patamares jamais vistos, mas poucos tinham milho para vender, contudo a safra em andamento foi plantada com os preços de insumos baseados naquela bolha de preço alto, e o preço de venda hoje é prejuízo certo.

Situação semelhante os agricultores viveram em 2010, quando colhemos além da média, os preços despencaram e as dívidas foram corrigidas pela inflação, provocando grave crise com os armazéns abarrotados de grãos. Temos um governo cuja maioria está à beira do xadrez, querendo arrecadar para distribuir benesses via emendas parlamentares e assim salvar o próprio couro, enquanto nós estamos abandonados por aqueles que deviam nos defender. Momento oportuno para que façamos ouvir nossa voz.

Saibam que a crise na agricultura afeta a todos e que a omissão dos nossos representantes é traição ao voto que receberam. Hora de planejar bem e não contar com o ovo antes que a galinha o bote.

 

miglioranza@opcaonet.com.br

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