Elio Migliorança

EM TEMPOS DE CRISE

Estamos vivendo dias tumultuados e manter a calma e a tranquilidade é cada vez mais difícil. Todo o estoque de paciência, sabedoria e equilíbrio emocional precisa ser utilizado para tomar decisões das quais não venhamos nos arrepender no futuro. Calma e sangue frio diante do terremoto político e econômico que estamos vivendo. Há muitas nuvens carregadas no horizonte do futuro. Os olhos dos paranaenses estão voltados para a greve dos professores, pois duas greves no espaço de três meses é algo inédito na história do Estado. Inédito também foi o que vimos na noite de 29 de abril. A Assembleia Legislativa cercada pela polícia, prenúncio de que uma tempestade se avizinhava, os deputados eleitos para defender seus eleitores lhe voltavam as costas e, submissos à ordem do governador, aprovavam a controvertida lei que permite transferir parte da despesa do Estado para o fundo previdenciário. É uma apropriação indébita pura e simples, pois o próprio governador disse que o Estado vai economizar mais de R$ 1 bilhão por ano. A polícia, que deve obediência a seus comandantes, teve a triste missão de utilizar bombas contra os profissionais do giz. Ponto negativo para a presença dos mascarados, estes sim deviam ter sido presos, pois quem não pode mostrar a cara, boa coisa não é.

Aos poucos a população toma consciência do tamanho da sacanagem que foi o tarifaço aprovado a toque de caixa em dezembro passado, pois os aumentos de preços estão em todos os setores de serviços e produtos de consumo. Os professores continuam em greve, a troca de três secretários estaduais em apenas quatro meses de mandato também é inédito e nada indica que a solução esteja próxima. Há reivindicações do magistério que são legítimas, contudo pedir 50% de hora atividade é brincar com coisa séria.

Na esfera federal então a situação está caótica. Em nada se parece com o tempo da farra das “bolsa tudo” que eram distribuídas fartamente. Enquanto isso, os investimentos indispensáveis nos setores de transporte, energia, saúde, segurança e outros foram sendo postergados e de repente estamos vendo que a casa está desmoronando. O que se ouve na rua é o povo reclamando da conta de luz, água, imposto de renda, combustíveis, IPVA e produtos alimentares. Taxas de juro subindo, o dinheiro sumindo, juro dos financiamentos habitacionais em alta e, finalmente, a grande pergunta: onde está o Brasil cor de rosa da campanha política?

A sensação de impunidade voltou com a decisão do Supremo Tribunal Federal de transferir para uma “gaiola de ouro” os chefes da roubalheira investigada na Operação Lava Jato. Sim, porque prisão domiciliar é mais ou menos isso. Menos mal que a ficha caiu, o povo em geral tomou consciência do estelionato eleitoral de que foi vítima e os responsáveis por isso estão sendo saudados ao som de panelaços.

Quando estamos no meio de uma tempestade, o mais sensato é esperar o tempo melhorar. É o que devemos fazer neste momento, planejar bem os projetos, não endividar-se, assumir compromissos que caibam dentro do salário de cada um e valorizar os políticos coerentes que ainda podem fazer a diferença. E como tudo está aumentando com base nas leis aprovadas tanto no Estado como no país, podemos concluir dizendo: nunca tantos pagarão tanto por culpa de tão poucos.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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