Elio Migliorança

EMOÇÕES E APRENDIZADO

Na recente viagem à região amazônica, misturaram-se emoções e muito aprendizado. A Região Norte do Brasil reúne riquezas que despertam a curiosidade e lhe conferem um toque especial de magia e grandiosidade. Lá está a maior floresta tropical do planeta. O povo é descendente da mistura dos colonizadores com escravos e indígenas, que resultou num povo simpático e hospitaleiro. Sua culinária é riquíssima e diferente da nossa região, pois mistura ingredientes da fauna e flora locais. E para tornar o passeio perfeito, tivemos contato com uma tribo indígena que conserva tradições e costumes, vivendo como seus antepassados no meio da floresta. Viajar é o melhor método de ensino e aprendizagem. A região amazônica pode ainda ser classificada como o “planeta água”. A quantidade de água na região causa admiração e espanto. Água, o bem mais precioso do futuro, explica os olhares de cobiça que os líderes das maiores potências mundiais lançam em direção à região. A comida é um capítulo à parte. Em qualquer quiosque da praça você come o “tacacá”. O almoço e o jantar oferecem uma enorme variedade que vai da maniçoba ao pirarucu de casaca, passando pela caldeirada de tucunaré ou o matrinxã na brasa, acompanhados com bolinho de charque com macaxeira. Mas se nada disso te agradou, ainda tem pato no tucupi, peixe moqueado, casquinho de caranguejo com farofa e muitas outras opções. Para finalizar isso de forma gloriosa, nada como um sorvete de mangaba, carimbó ou cupuaçu, seguido de uma tapioca de castanha com recheio de banana e um delicioso suco de açaí. Açaí é uma fruta abundante na região e fonte de renda especialmente para os “ribeirinhos”, pessoas que vivem em palafitas nas margens dos imensos rios da região.
O contato direito com os índios da “comunidade Tupé” da tribo nos Manauaras, no meio da floresta, foi uma preciosa aula sobre nossos antepassados, suas origens, sua sabedoria no convívio com a floresta, extraindo dela sua sobrevivência, mas mantendo-a viva e preservada. A floresta e a terra são reverenciadas pelos índios como uma verdadeira e generosa mãe. A gigantesca samaumeira, considerada a árvore mãe da floresta, nos remete ao passado de mais de mil anos quando esta árvore nasceu e assistiu à colonização do Brasil. Os rios, verdadeiros gigantes da natureza, impressionam pela exuberância e produção generosa. Contudo, há um sinal de alerta para os governantes responsáveis pelo planejamento do futuro. Com toda a riqueza hidrográfica da região, Manaus importa peixes de Roraima. A pesca predatória e sem controle dos navios pesqueiros estrangeiros está colocando em risco a sobrevivência de milhares de famílias que vivem da pesca.
No mercado “ver-o-peso” em Belém (PA), considerado a maior feira livre da América do Sul, tivemos nosso momento de estrangeiros, quando alguns feirantes admiraram-se por falarmos tão bem o português, e até nos perguntaram há quanto tempo morávamos no Brasil. Risos ao afirmarmos que éramos tão brasileiros quanto eles. Como dizem por lá os belenenses, foi um passeio “Pai d’égua”, que significa que é um passeio muito bom, muito legal, que vale a pena.

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