Copagril
Elio Migliorança

EQUAÇÃO PERVERSA

Faz tão pouco tempo, mas já parece tão distante aquela noite em que cantávamos a velha e sempre lembrada música “adeus ano velho…”. O ano é novo, mas os temas continuam velhos. Enquanto o povo cantava a esperança do ano novo, repetindo os chavões de muito dinheiro no bolso, o governo lhe passava uma rasteira atrás da outra para tomar-lhe o dinheiro. Primeiro foi a “bondade” da presidente Dilma, que num giro pelo continente africano fez caridade com o dinheiro alheio, perdoando dívidas que vários países tinham com o Brasil. Como o governo não produz nada, nós pagaremos a conta. Para entender a perversidade da equação, grandes empreiteiras vão fazer obras por lá, financiadas pelo Brasil. A lei proíbe empréstimos a países que nos devem. A saída foi perdoar as dívidas para emprestar mais dinheiro, e assim as grandes empreiteiras agradecidas farão depois generosas doações para a campanha eleitoral presidencial. Alguém sabe de uma dívida brasileira que já tenha sido perdoada? Pior, a maioria dos países beneficiados são governados por ditadores, corruptos e sanguinários, enquanto a população de lá vive na mais completa miséria. Também estamos financiando a construção de um porto em Cuba, ao custo aproximado de R$ 700 milhões. Um fanático governista quis me convencer que estamos tão bem que podemos emprestar dinheiro para outros países. Este camarada é cego ou vive fora do Brasil, pois se aqui estivesse veria a situação em que estão saúde, educação, segurança e transportes. Outra mentira foi contada no fechamento das contas da balança comercial brasileira. Tinha que fechar positivo, afinal, estamos em ano eleitoral e um resultado negativo deixaria o governo mal na fotografia. Qual foi o milagre? Contar como exportadas plataformas continentais utilizadas na exploração de petróleo, as quais não saíram do Brasil, pois estão sendo utilizadas pela Petrobras. Valor de US$ 7 bilhões. Mesmo assim o resultado foi o pior em 13 anos. E ainda tem as obras para a Copa do Mundo, novela em andamento, com novas “maracutaias” sendo denunciadas a cada semana. As manifestações populares que se sucedem e as notícias de que novas estão sendo articuladas vão finalmente fazer os governantes entender que o povo cansou de ser “bovinamente conduzido”. E não justifiquem dizendo que no passado também havia roubos, mentiras e superfaturamento. Se houve, por que seus autores ainda não foram investigados e punidos? Ou os governantes, além de mentirosos, também são omissos? E o ano ainda tão novo já trouxe um triste aprendizado: com tantas causas nobres para alguém destinar uma doação, com tantas entidades que cuidam de doentes, de deficientes, de órfãos e de idosos abandonados, muitos brasileiros doaram dinheiro para pagar a multa de um criminoso condenado pela Justiça por vários crimes. O Brasil realmente é uma terra onde tudo é possível. E para completar o rol dos maus exemplos, a comitiva brasileira que foi da Suíça para Cuba, fez escala em Portugal e, ao invés de hospedar-se na Embaixada Brasileira em Lisboa, preferiu os melhores hotéis onde só a suíte presidencial custou a bagatela de R$ 26 mil por dia. Isso é uma vergonha, diria Boris Casoy. 
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
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