Copagril
Elio Migliorança

ERA O QUE QUERÍAMOS?

Semana Santa é feriadão especial e tempo de refletir na vida e na razão de ser da humanidade. Paixão e morte de Cristo celebradas pelos cristãos e vistas com respeito pelas demais crenças nos remetem a uma reflexão inevitável: a sociedade do futuro anunciada no século passado e sonhada por muitas gerações finalmente chegou. Estamos vivendo a era da tecnologia, superando até as previsões dos mais otimistas profetas dos séculos passados. E agora, deslumbrados pelas infinitas possibilidades que a tecnologia proporciona, muitos olham angustiados ao redor e se perguntam: era isso que queríamos? Para os que creem em Deus a pergunta é: era este o plano de Deus?
Se olharmos o aspecto científico e tecnológico, devemos reconhecer que o ser humano mostrou a que veio para este mundo e ultrapassou todas as fronteiras do imaginável no desenvolvimento científico. Mas se voltarmos os olhos e a reflexão para o lado humano, a sociedade que construímos é justa para todos? Da liberdade, igualdade e fraternidade sonhadas pelos revolucionários na França aos princípios do cristianismo de justiça e direitos iguais, com o indispensável “pão nosso de cada dia”, o que temos nos dias atuais?
Vivemos um tempo em que o egoísmo fala mais alto em todos os sentidos. É na busca pelo poder, onde a máxima perversa é buscar o que é bom para mim não importando o direito e o bem-estar dos outros. Neste ano eleitoral, muitos “venderão a alma para o diabo” para conquistar o poder, porque através dele virão o poder e o dinheiro que permitirão destruir adversários, perseguir desafetos e colocar correligionários em postos de comando que permitem domínio por longo tempo.
Outro fato é que estamos perdendo de vista aqueles valores transmitidos pela geração que nos antecedeu, quando a sensibilidade, a ternura, a verdade, a liberdade, a fé e a responsabilidade eram tidas em alta conta pela sociedade organizada. A substituição destes valores pelo egoísmo, desinteresse, a aceitação do crime como natural, a exploração econômica, desobediência, desordem, desrespeito e perseguição foi entrando devagar e silenciosamente na sociedade e nós a incorporamos até a aceitação como normal. Alguns fatos que antes causavam surpresa e indignação, infelizmente, tornaram-se corriqueiros e isso contribuiu muito para criar esta sociedade angustiada consigo mesma. Refiro-me aos escândalos nas áreas do Judiciário, da política e da religião, associados ao clima de impunidade reinante, criando uma espécie de desencanto e desesperança até nos otimistas mais radicais. Na Semana Santa, os que creem vão pensar na vida após a morte, que promete felicidade total, mas, segundo o plano de Deus, o ser humano foi criado para ser feliz também aqui e agora. Já os ateus, que não acreditam em vida após a morte, concluem que tudo vale a pena para conseguir o máximo em conforto, bem-estar, poder e dinheiro porque “morreu, acabou”. Somos forçados a reconhecer que a humanidade se transformou numa grande fazenda, onde a humanidade foi separada entre os moradores da “casa grande” e da “senzala”. Mas eu creio que Deus pode e vai fazer a diferença. Quem viver verá.

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