Brincando na Praça 2019
Elio Migliorança

ESCREVENDO TORTO POR LINHAS RETAS

Ao contrário de Deus, que escreve reto por linhas tortas, o governo brasileiro consegue escrever torto por mais que as linhas sejam retas e visíveis. No embalo do massacre ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, Rio de Janeiro, ocorrido em 07 de abril passado, o governo, através do ministro da Justiça, aproveitou o embalo como que para mostrar serviço e propôs ao país um plebiscito para desarmar a população. Uma campanha já está no ar às nossas custas, como se isso resolvesse o problema. Chegaram a afirmar que a decisão do plebiscito de 2005 contra o desarmamento foi equivocada. Na minha modesta opinião, é uma estratégia para desviar a atenção do foco principal que é a incompetência do governo em dar a segurança que a população merece. Nenhuma das armas utilizadas pelo autor da chacina era comprada legalmente. Aliás, quem nos morros do Rio de Janeiro entregou as armas naquela campanha?
Quem entregou as armas foi a população que não tem ficha criminal. Se para cada chacina fizermos um plebiscito, não nos sobrará tempo para outra coisa. Desarmar a população não resolve o problema, apenas desvia a atenção do verdadeiro problema. Tem que desarmar os bandidos. Tem que desbaratar as quadrilhas. Tem que policiar as fronteiras para evitar o contrabando. Se o ministro da Justiça propõe um plebiscito por causa das mortes por arma de fogo, é necessário alertar o ministro dos Transportes para que se mexa e também reivindique um, afinal, na sua pasta o problema é mais grave. Segundo o site “SOS Estradas”, morrem 42 mil pessoas por ano vítimas de acidentes rodoviários, enquanto que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima serem 34 mil mortos por armas de fogo a cada ano, e a maioria delas por armas ilegais, portanto, não são as nossas que estão registradas e catalogadas pela polícia federal.
Se o objetivo é defender a vida, devemos primeiro fazer uma campanha e um plebiscito para proibir o uso de veículos, afinal, eles representam uma arma letal mais nociva à saúde do brasileiro.
Outra “febre” do momento é o assalto a caixas eletrônicos e, via de regra, os mesmos são explodidos com dinamite. Afinal, a dinamite é um produto de livre comércio? A quem cabe o controle de produção e vendas? Se não é legal, como chega às mãos dos bandidos? É tão complicado assim controlar os estoques e o destino final? Que tal um plebiscito também para proibir a venda e uso da dinamite?
Ora… ora, se a cada situação de incompetência do governo em proporcionar ao cidadão o mínimo para uma vida normal fizermos um plebiscito nacional, estaremos votando todos os meses do ano. Sou contra o desarmamento, aliás, acho que a população deve se armar mais, caso contrário, qualquer pivete com um canivete vai entrar na sua residência e fazer todos reféns. Será até conveniente ter uma arma em cada lugar da casa. Caso você seja trancado no banheiro ou na despensa, se a arma não lhe servir para matar o ladrão, pelo menos servirá para detonar a fechadura e abrir a porta. Infelizmente o cidadão tem que fazer sua própria segurança, embora esteja pagando impostos para ter isso e muito mais.  

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