2º Agita Rondon – 2019
Arno Kunzler

Estamos em choque

Não parece que estamos vivendo tempos normais.

Pelas mortes e pela falta de cuidado que temos com as vidas, mais parece que estamos em guerra contra nós mesmos.

Casa do Eletricista PISCINAS

Mal nos damos conta que mais de 300 pessoas morreram soterradas com o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).

Gente trabalhando, gente almoçando, gente descansando em suas casas, gente chegando ao trabalho e gente saindo…

Pessoas que viveram sem se dar conta do perigo que estava logo acima, armazenado numa barragem insegura e certamente malcuidada.

Para essas famílias, o mundo literalmente desabou.

Nem contamos as mortes de Brumadinho, vem uma tromba d’água e mata seis e deixa desesperadas centenas de famílias nas encostas da bela cidade do Rio de Janeiro. Bela e tão malcuidada quanto a barragem de Brumadinho…

Pessoas que não se davam conta do que uma simples chuva causaria para eles e seus familiares.

Mas o pior ainda estava por vir, na noite seguinte, dez meninos que treinavam nas categorias de base do Flamengo tiveram suas carreiras e suas vidas ceifadas por um incêndio sem explicação.

Inacreditável que centenas de jovens, atletas promissores do clube, vivessem numa situação tão desconfortável e insegura sem que ninguém do clube ou autoridade se desse conta da tragédia iminente.

E é bom que se diga, um lugar tão malcuidado quanto a barragem de Brumadinho…

Domingo (10) de manhã, quatro jovens retornavam para Pato Bragado quando o Fiat Uno em que estavam bateu de frente num caminhão, num lugar onde a estrada é boa e a visibilidade confortável. Dois deles morreram no local.

Segunda-feira (11) o Brasil levou mais um susto, morreu um dos melhores e maiores jornalistas em atividade no país junto com piloto e acompanhante.

Ricardo Boechat viajava de helicóptero, que tentou pousar na rodovia e bateu de frente com um caminhão. Um acidente tão estranho quanto as demais tragédias.

Como podemos ver, não é preciso morar abaixo de uma barragem, nem na encosta de um morro, nem morar num alojamento. Basta estar vivo, dormindo, andando de carro, ou de helicóptero.

Será que perdemos a noção do quanto vale uma vida?

Será que estamos cuidando direito das pessoas, aquelas as quais dependem de nossos cuidados e prudência?

Será que estamos perdendo a noção de que uma vida vale muito mais do que qualquer coisa que possamos conquistar, ter ou querer?

Simplesmente não é possível dizer que essas são fatalidades, pelo contrário, são todos acidentes evitáveis.

Pensemos nisso.

 

O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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