Pastor Mário Hort

Estêvão foi apedrejado e viu o céu aberto – 5ª parte

Nos primeiros dias do Cristianismo, os apóstolos foram presos e à noite um anjo abriu as portas da prisão (At. 5:19).

A perseguição começou logo após o pentecostes, quando quase três mil pessoas se uniram aos 120 crentes que receberam o Espírito Santo (At. 2:1-4-37-41).

A primeira igreja não tinha nada organizado, então foi instituído o primeiro cargo, que foi o diaconato (At.6).

Estêvão fazia prodígios e grandes sinais entre o povo e logo foi arrastado para diante das autoridades religiosas judaicas. Então, ele fez um longo discurso e no final disse que as autoridades religiosas são homens de cabeças duras e os assassinos de Jesus, a quem eles haviam crucificado (At.51-53).

Essa foi a gota d’água que os enfureceu e os fez lançarem fora da cidade e o apedrejaram.

Quando as pedras começaram a cair sobre a cabeça de Estêvão, este fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita. E ele disse: “Estou vendo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus”. Mas, eles gritaram e taparam os ouvidos e o apedrejaram (V. 54-60).

A fresta no céu surgiu sobre Estêvão quando ele estava levando as últimas pedradas, antes de morrer. Eu também já estive morrendo na UTI; o coração já estava parando… o médico me disse que meus rins iriam parar, também o pulmão e logo… Eu não vi o céu aberto, mas vi a graça de Deus, que neste momento se tornou o meu novo nascimento para mais uma chance desta vida, que já dura mais de seis anos.

Se for da vontade de Deus, você também pode receber uma fresta no céu, que lhe dá uma nova chance de graça e misericórdia, como diz Sal. 103:4-5.

 

O dia da condenação à morte foi uma “fresta no céu”

A “fresta no céu” do bispo Ignácio da Antioquia chegou pela condenação à morte. Ele residia na referida cidade, a segunda mais importante do Império Romano. A igreja de Antioquia deu início à primeira viagem missionária enviando Paulo e Barnabé aos pagãos.

Sob o domínio de Trajano (98-117), a confissão ao Cristianismo foi declarada crime em todo o Império Romano.

Com esta lei, o bispo Ignácio de Antioquia foi condenado à morte. Ele foi designado a ser devorado pelos animais selvagens e teve que ser levado a Roma.

No caminho a Roma, o homem de Deus escreveu cartas aos Romanos, Efésios e à Polikarpo, seu colega e bispo de Smyrna. Na carta aos Romanos, Ignácio dizia: “Escrevo às igrejas confirmando que morrerei de espontânea vontade por Deus. Deixem-me ser trato para os animais selvagens, a fim de que eu possa chegar a Deus. Sou trigo de Deus, e pelos dentes dos animais eu serei moído para que eu possa ser encontrado como pão de Deus. Desde a Síria até Roma eu luto noite e dia, com ‘animais selvagens’. Os soldados são como leopardos, aos quais estou acorrentado, que em troca de carinho respondem com ainda maior rancor. Seus maus-tratos são uma disciplina que me faz ser discípulo de Jesus. Prefiro morrer para ir a Cristo que tornar-me rei sobre os confins da terra… O dia do meu nascimento para a vida eterna está próximo. Não tenho mais prazer em alimentos passageiros nem em prazeres desta vida. O pão de Deus que desejo é Jesus Cristo. E a bebida que eu desejo é seu sangue e o seu amor eterno”. Fonte: Väter der Cristenheit – Dietrich Haus – pg. 21-22. A “fresta no céu” do bispo foi saber que sua chegada ao céu se aproximava.

 

 

Mário Hort, o autor é pastor da Igreja de Deus no Brasil em Marechal Cândido Rondon

ecosdaliberdade@yahoo.com.br

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