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Dom João Carlos Seneme

Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé!

O Evangelho deste domingo (30) é denso, rico de símbolos que recordam o nosso batismo, mas também revela a dificuldade em aceitar Jesus como Filho de Deus e Salvador. No centro do Evangelho está a afirmação de Jesus: “Enquanto Eu estou no mundo, Eu sou a Luz do mundo”. Através de um sinal, a cura de um cego de nascença (como o evangelista João gosta de se referir aos milagres de Jesus) e um diálogo, em polêmica com os judeus, o texto nos apresenta Jesus como revelador de Deus que vai destruindo algumas maneiras e concepções que, na época, tinham sobre Deus, a vida, a doença, o pecado e a morte. Na cena que temos hoje, há um cego de nascença e os fariseus junto de Jesus. Na época de Jesus todo tipo de enfermidade era considerada consequência de um pecado, pessoal ou herdado dos pais ou antepassados. Na cena vemos Jesus que domina a situação através dos simbolismos do barro, saliva, sábado, o envio à piscina de Siloé. Ele age em nome de Deus para dar luz, para dar vida e revelar-se como a luz do mundo. Mais do que a cura do cego nascença, o que interessa no texto é o itinerário de fé que este homem faz. Ele vai amadurecendo a fé até afirmar que Jesus é o Senhor. É uma espécie de catequese que implica num processo que vai descortinando a descoberta e aceitação de Jesus como o Salvador. O homem cego, que retoma a visão pela ação de Jesus, no início não sabe quem é Jesus e, aos poucos, vai descobrindo o que aconteceu com ele: Jesus lhe deu a visão que os fariseus querem tirar. Aqui se encontra a polêmica do texto: este pobre homem que nasceu cego deve escolher entre uma religião de vida, de luz, de felicidade ou uma religião de morte, como lhe propõem os fariseus, que se irritam mais porque o milagre aconteceu no sábado. Jesus quer revelar que Deus acompanha o sofrimento de seus filhos e filhas não importa onde eles estejam, dentro da sinagoga, na rua, se é sábado ou domingo. O homem deve lavar-se na piscina de Siloé. É o que acontece quando somos batizados: somos submersos no mistério da vida do Senhor. No nosso relato, todos percebem que ali aconteceu algo maravilhoso, não compreendem tudo, mas sentem a manifestação de Deus. Somente pela fé conseguem intuir que um milagre aconteceu. Precisamos de um olhar especial para compreender o que Deus realiza em nossas vidas. Muitas vezes precisamos deixar de lado nossos critérios humanos e arriscarmos no mundo de Deus para descobrir seus caminhos e segui-los sem medo. Aquele homem curado da cegueira começa a experimentar a salvação de Deus trazida por Jesus Cristo, mas ainda não sabe quem Ele é. Os fariseus não conseguem fazer este mesmo caminho porque estão presos a esquemas antigos e preconceituosos que dificultam o encontro com Jesus e com a vida nova que ele traz. De forma irônica eles podem ver, mas estão “cegos” e não podem ser curados, pois têm o coração fechado. Mesmo depois de curado, o homem ainda é rejeitado e Jesus vai ao seu encontro. Finalmente o homem compreende quem é Jesus e se entrega completamente a Ele. Descobre que Jesus é o Filho de Deus entre os homens, que foi ao seu encontro e abriu seus olhos para ver a vida e deu-lhe a liberdade.Que o Senhor nos conceda sempre a luz da fé e, por ela, mantenha acesa em nós a chama da esperança. Que Deus nos dê a todos a graça da coragem, da audácia, do testemunho que brota e é exigido da fé em Jesus Cristo (A Bíblia dia a dia, Paulinas). 
* O autor é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

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