Copagril
Dom João Carlos Seneme

Eu sou o bom pastor. Dou a vida pelas minhas ovelhas

O 4º domingo da Páscoa é o “Domingo do Bom Pastor”. Todos os anos a liturgia deste domingo nos propõe o capítulo 10 do Evangelho segundo João, no qual Jesus é apresentado como “Bom Pastor”. Cristo é o modelo do verdadeiro pastor que ama de forma gratuita e desinteressada as suas ovelhas, até ser capaz de dar a vida por elas. As ovelhas sabem que podem confiar nele de forma incondicional, pois Ele não busca o próprio bem, mas o bem do seu rebanho. Para pertencer ao rebanho de Jesus é preciso estar disponível e atento para ouvir sua voz e segui-lo no caminho do amor e da entrega.

Neste mesmo dia a igreja nos pede que rezemos pelas vocações e o papa nos oferece uma bela reflexão sobre o tema. Este ano ele propõe “O êxodo, experiência fundamental da vocação”. Vamos acompanhar a mensagem do papa Francisco:

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“Jesus dá a ordem de rezar ao dono da messe que envie trabalhadores à messe num contexto de envio missionário. Com efeito, se a igreja ‘é, por sua natureza, missionária’, a vocação cristã só pode nascer dentro de uma experiência de missão. Assim, ouvir e seguir a voz de Cristo, Bom Pastor, deixando-se atrair e conduzir por Ele e consagrando-lhe a própria vida, significa permitir que o Espírito Santo nos introduza neste dinamismo missionário, suscitando em nós o desejo e a coragem jubilosa de oferecer a nossa vida e gastá-la pela causa do Reino de Deus.

A oferta da própria vida nesta atitude missionária só é possível se formos capazes de sair de nós mesmos. Por isso, neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de refletir precisamente sobre um êxodo muito particular que é a vocação ou, melhor, a nossa resposta à vocação que Deus nos dá. Quando ouvimos a palavra êxodo, ao nosso pensamento acodem imediatamente os inícios da maravilhosa história de amor entre Deus e o seu povo; uma história que passa através dos dias dramáticos da escravidão no Egito, a vocação de Moisés, a libertação e o caminho para a Terra Prometida. Na Páscoa, passar da escravidão do homem velho à vida nova em Cristo é a obra redentora que se realiza em nós por meio da fé (Ef 4,22-24). Esta passagem é um real e verdadeiro ‘êxodo’, é o caminho da alma cristã e da igreja inteira, a orientação decisiva da existência para o Pai.

Na raiz de cada vocação cristã há este movimento fundamental da experiência de fé: crer significa deixar-se a si mesmo, sair da comodidade e rigidez do próprio eu para centrar a nossa vida em Jesus Cristo; abandonar como Abraão a própria terra, pondo-se confiadamente a caminho, sabendo que Deus indicará a estrada para a nova terra. Esta ‘saída’ não deve ser entendida como um desprezo da própria vida, do próprio sentir, da própria humanidade; pelo contrário, quem se põe a caminho no seguimento de Cristo encontra a vida em abundância, colocando tudo de si à disposição de Deus e do seu Reino. Como diz Jesus, todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá 100 vezes mais e terá por herança a vida eterna” (Mt 19,29). Tudo isto tem a sua raiz mais profunda no amor. De fato, a vocação cristã é, antes de mais nada, um chamado de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus.

Rezemos pela fidelidade de todos os consagrados de nossa diocese: bispo, padres, diáconos, seminaristas, religiosas e religiosos. Que o Senhor Ressuscitado estimule novas e santas vocações!

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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