2º Agita Rondon – 2019
Elio Migliorança

Eu vi a terra prometida

Seguindo a viagem pelos países escandinavos, na Dinamarca descobrimos que reis e rainhas estavam no nosso caminho, já que três países são monarquias e o governo é exercido pelo primeiro ministro, eleito pelo parlamento. Interessante ver que países com tal grau de desenvolvimento ainda reverenciam reis e rainhas, aos quais devotam muito respeito e orgulham-se deles.

É grande a distância entre a qualidade dos parlamentares de lá e daqui. A corrupção por lá é quase um crime inafiançável, tão rara que não souberam informar quando foi o último escândalo no país, pois corrupção é punida severamente. Nós omitimos maiores detalhes para não comprometer ainda mais a imagem do nosso país, mas eles sabem da corrupção e violência no Brasil.

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A Dinamarca foi ocupada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, mas o país não foi bombardeado, por isso conserva em suas cidades a arquitetura medieval que misturada aos prédios modernos cria um ambiente de harmonia entre o velho e o novo. Lá existem muitos investimentos e incentivos na produção de energia elétrica eólica, fotovoltaica e de biogás, hoje uma tendência mundial.

Há no interior uma cidade chamada Thisted que produz de fontes renováveis 99% da energia elétrica que consome. Muitos agricultores investem em energias renováveis e vendem o excedente ao governo, que lhes paga em dinheiro. Aqui no Brasil caminhamos na contramão. Além de não dar incentivo a projetos particulares de produção de energia, o governo ainda cobra ICMS sobre a energia que nós produzimos. A energia é um monopólio perverso, temos uma das energias mais tributadas do mundo, o que nos coloca na vanguarda do atraso em relação aos países desenvolvidos.

Outro destaque em Copenhagen é o número de bicicletas que é quase igual ao número de carros, não por acaso a cidade foi a primeira do mundo a ser denominada cidade ciclável. A infraestrutura para bicicletas é perfeita, a cidade é plana e o benefício para o meio ambiente e para a saúde combina com o nível cultural da população.

Da Dinamarca para a Noruega é um pulo e logo chegamos à terra dos fiordes. O país impressiona pela beleza, organização e cultura. Terra pacífica, na capital Oslo é feita a entrega do Prêmio Nobel da paz. Terra de Gustav Vigeland (1869-1943), um genial escultor norueguês que produziu mais de 600 esculturas retratando o ciclo da vida, feitas em pedra e metal estão no parque Vigeland, onde também está a maior coleção de rosas da Noruega. Todas as esculturas representam pessoas nuas, pois segundo o autor a nudez nos faz todos iguais, pois na vestimenta está a diferença das classes sociais.

É o país com o maior número de carros elétricos do mundo, e tem no petróleo uma de suas principais riquezas. A maior prova de que a competência faz a diferença é o fundo que a Noruega tem de 800 bilhões de euros, resultado da venda de petróleo ao longo dos anos, cujos rendimentos são gastos em assistência social e aposentadorias, garantindo, segundo eles, o futuro da população para os próximos 50 anos. Por incrível que pareça a Venezuela tem mais petróleo que a Noruega. A diferença entre os dois países é a forma como esta riqueza foi administrada. O que os países escandinavos têm hoje é o que no Brasil nos prometem faz 50 anos: um futuro garantido.

 

Professor em Nova Santa Rosa

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