Dom João Carlos Seneme

Eu vos dou um novo mandamento

O Evangelho deste domingo (26) nos leva novamente a Jerusalém e podemos acompanhar Jesus revelando o plano salvador de Deus que se realizará na cruz através de sua morte e ressurreição. Os líderes religiosos não acreditam em Jesus e buscam, de todo modo, um meio de condená-lo através de armadilhas e ciladas. Hoje, um fariseu, conhecedor das escrituras e da Lei, aproxima-se de Jesus e pede que lhe diga qual é o maior mandamento da Lei.

Jesus, em resposta, une de modo indissolúvel dois mandamentos: amor a Deus e amor ao próximo. Ensina que não se pode separar o amor a Deus do amor ao próximo. Assim, na perspectiva de Jesus, “amor a Deus” e “amor aos irmãos” estão intimamente associados. Não são dois mandamentos diversos, mas duas faces da mesma moeda. “Amar a Deus” é cumprir o seu projeto de amor, que se concretiza na solidariedade, na partilha, no serviço, no dom da vida aos irmãos. Foi assim que Jesus viveu a sua vida: procurando discernir a vontade do Pai e cumpri-la com fidelidade e amor. “Amar a Deus” é, pois, na perspectiva de Jesus, estar atento ao projeto do Pai e procurar concretizar, na vida do dia a dia, os seus planos. Ora, na vida de Jesus, o cumprimento da vontade do Pai passa por fazer da vida uma entrega de amor aos irmãos, se necessário até ao dom total de si mesmo.

Amar a Deus é escutar atentamente a sua palavra, acolher suas propostas e obedecer aos seus projetos: “Pai nosso, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade”. Este é o verdadeiro modo de demonstrar que amamos a Deus: evidenciando que Ele é o centro da minha vida e que vou fazer de tudo para que a sua vontade aconteça através do meu esforço, das minhas atitudes, das minhas escolhas.

Amar ao próximo é prestar atenção em cada ser humano que passa pela minha vida, procurando ser solidário com todos, respeitando as diferenças de cada um. Partilhar alegrias e sofrimentos, desilusões e esperanças, fazer de minha vida um dom. O mundo em que vivemos precisa redescobrir o amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida. Estamos vendo aumentar cada vez mais a intolerância em todos os níveis. Pessoas matam por uma briga de trânsito, uma vaga no estacionamento, um relacionamento desfeito. Parece que ninguém pode ser contrariado. A resposta será sempre violenta. Por isso, o mandamento de Jesus continua atual. “Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus: se os amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e ao amor de Deus está consumado em nós: Deus é amor. Se alguém diz que ama a Deus, mas odeia seu o próprio irmão, mente; pois se não ama o irmão a quem vê, não pode amar a Deus a quem não vê” (1Jo, 4).

“O amor a Deus e ao próximo se torna, em Jesus Cristo, um modo de viver. Somente amando podemos ser verdadeira e profundamente felizes e cristãos. O amor a Deus e ao próximo é uma força de vida que nos faz viver uma Páscoa permanente da saída do eu para a entrega generosa, gratuita, a Deus e ao próximo” (Padre Carlos Contieri).

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