Arno Kunzler

Fakes e manipulação

A briga do cidadão por informações confiáveis está longe de terminar com o advento das mídias sociais.

Se de um lado o jornalismo tradicional está perdendo credibilidade, e com razão, as mídias sociais que deveriam ou poderiam oferecer esta resposta estão ainda mais vulneráveis à divulgação de mentiras e principalmente manipulação de fatos e ideias.

Casa do Eletricista – TORNEIRAS ELÉTRICAS

Os grandes jornais e as grandes redes de televisão principalmente, que até seis anos atrás comandavam a formação da opinião pública, simplesmente sucumbiram diante de contestações, questionamentos e revelações de fatos grosseiramente manipulados.

As mídias locais estão desesperadamente agindo para se adequar e não cair no mesmo descrédito.

É bem verdade que a onda pegou geral, não poupa quem pratica a falsidade jornalística e nem quem se preocupa com a verdade.

A exemplo do que aconteceu com os políticos, funcionários públicos e das instituições policiais, os veículos de comunicação e os jornalistas estão sendo defenestrados de forma generalizada.

Quando se fala que todo político é ladrão, que policial é corrupto, funcionário público não trabalha e jornalista mente se comete uma grande injustiça com todos aqueles que pretendem e estão dispostos a não cair nessa tentação e provavelmente são a maioria.

Poderia citar outras categorias que também foram amplamente contestadas, como, por exemplo, os empresários, que muitas vezes também são acusados, de forma generalizada, de serem opressores e sonegadores.

Agricultores acusados de destruir o meio ambiente etc…

Sempre que utilizamos a generalização não estamos sendo justos. E isso é um dos grandes problemas da própria compreensão do ser humano.

O que podemos perceber com muita clareza hoje é que a utilização profissional das mídias sociais, provocando desinformação e manipulação das pessoas, é seguramente tão ou mais grave do que foi nos tempos em que as redes de televisão prestavam esse desserviço.

Nunca se propagou tanta mentira e tantas versões diferentes dos mesmos fatos.

Se antes acreditávamos em alguma coisa, verdadeira ou não, agora as pessoas já não sabem no que acreditar. Não há sequer uma referência.

Ou quando acreditam, ainda temos as dificuldades para ler e entender o significado disso.

Cada vez formam-se mais grupos de manipulados a serviço da desinformação, multiplicando o seu efeito devastador.

O problema hoje não são os que replicam sem olhar, o problema são os que produzem conteúdo altamente inflamável e não avisam.

Usam as pessoas que de alguma forma foram alienadas a pensar igual ou parecido, e ingenuamente compartilham, como costumam falar “a verdade”.

É perfeitamente perceptível que essas pessoas integram verdadeiros exércitos de alienados e trabalham com muita convicção, difundindo pensamentos políticos, agressões, difamações, distorções e, sobretudo, violência.

Eu fico feliz quando recebo um texto escrito pelo próprio internauta, seja crítica, elogio, constatação ou até comentário inútil, mas escrito por ele.

O que assusta é que as pessoas não escrevem, não pensam aquilo que compartilham, mas ao compartilhar, assinam embaixo.

As mudanças em curso nos levam a reflexões constantes sobre que sociedade estamos produzindo.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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