Arno Kunzler

Falando para as paredes…

A julgar pelos discursos do ex-presidente Lula e líder nas pesquisas eleitorais, favorito para o pleito de outubro, teremos um governo, caso seja eleito, destoando completamente do pensamento do setor produtivo nacional.

É bem verdade que os governos que prometeram também não privatizaram (Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e outros), mas Lula voltou a defender as empresas públicas, demonstrando ser fortemente contra a privatização.

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E pior, durante um discurso nesta semana, disse que não adotará o teto de gastos públicos em seu governo.

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Bom, também isso não diz grandes coisas, porque os últimos três governos – Dilma, Temer e Bolsonaro – também não respeitaram o teto de gastos.

Todavia, o teto é o mínimo de incômodo que os governantes gastadores podem ter.

Sem o teto, vale tudo e as contas públicas, que têm uma impressionante tendência de crescer além das receitas, levam o setor produtivo ao estresse de tanto aumentar a carga tributária.

É bom saber que mais de 95% das despesas totais do governo federal são pagamentos obrigatórios (folha de pagamento, encargos, precatórios, etc.), restando somente pouco menos de 5% para a realização de obras e outros investimentos que tanto necessitamos.

Acabar com o teto, embora ele não tenha sido respeitado pelos últimos governos, é, no mínimo, piorar o que já está ruim.

Lula vai conseguindo afastar do seu palanque o eleitorado que teria grande chance de atrair, caso tivesse conectado com a realidade que vive o setor produtivo.

Essas posições amedrontam o eleitorado, que, mesmo insatisfeito com o atual governo, não aceita retrocesso, especialmente apontando para a política das privatizações, fiscal, tributária e trabalhista.

As empresas públicas no Brasil podem continuar existindo, sem problemas, o que elas não podem é manter seus monopólios injustificáveis em setores onde a competitividade é possível e com certeza traria resultados melhores.

Os erros do atual governo, em alguns setores, não justificam a revogação simplesmente dos avanços que a duras penas conquistamos ao longo dos anos e com exemplos que não queremos repetir.

O Brasil, apesar desse debate pobre e polarizado, está muito mais maduro para promover mudanças importantes e solidificar um crescimento que nos trouxe para o patamar de cima dos países mais importantes.

Apesar da desastrosa inflação e da necessidade dos juros altos que aniquilam a renda das pessoas e inviabilizam negócios, temos clareza e posições mais firmes do que há 30 anos sobre os grandes temas.

Evoluímos como cidadãos. Hoje temos esquerda e direita, e não somente esquerda.

Hoje temos um setor produtivo mais lúcido e capaz de contestar a política econômica quando está descarrilhando.

Hoje sabemos o que esperar do Estado, além de pagar salários justos e merecidos a quem trabalha e produz.

 

Arno Kunzler é jornalista e fundador do Jornal O Presente, da Editora Amigos e da Editora Gralha Azul

arno@opresente.com.br

 

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