Editorial

Faz tempo

Em pouco mais de dois meses, a ocorrência de chuvas torrenciais, por duas vezes, provocaram prejuízos em Marechal Cândido Rondon. No início de novembro do ano passado, a chuva em demasia causou alagamentos em vários pontos da cidade. No último sábado (06), os bueiros não foram suficientes para deter as fortes chuvas e novos alagamentos e prejuízos foram identificados. As chuvas torrenciais, mais constantes no período mais quente do ano, colocam a cidade rondonense em alerta.

Choveu muito, e poucas cidades brasileiras estão preparadas para receber e escoar esse imenso volume de água em tão pouco tempo. Por aqui a coisa não é diferente. Sem um sistema de tubulação eficiente, as áreas mais baixas da cidade pareciam rios com corredeiras. Residências e estabelecimentos comerciais foram invadidos pela água. Calçadas e ruas foram danificadas, prejuízos financeiros individuais foram contabilizados. Quem foi afetado, teve muito trabalho para colocar as coisas em ordem.

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O sistema de drenagem das águas pluviais é nitidamente ineficiente em Marechal Cândido Rondon. Qualquer forte chuva, como a registrada no sábado, vai invariavelmente causar prejuízos e transtornos. É um sistema antigo, desenvolvido há várias décadas, que não suporta a demanda dos dias de hoje.

 O problema é que desde que foram implementadas, as galerias de águas não sofreram substanciais melhorias. Ano após ano, as administrações deixaram de lado a obra que fica abaixo do asfalto em detrimento de outras prioridades, o que, agora, se mostra um tremendo equívoco. A instalação de tubulações mais robustas, que tenham suporte para escoar mais água, foi deixada para o segundo, terceiro plano. A conta está chegando agora.

Ontem (08), a administração municipal fez vistorias em alguns pontos de alagamento na área central da cidade. Agora, o departamento de engenharia do município estuda possibilidades para fazer as ampliações e reestruturações dessas redes de águas. É um bom começo para um assunto que sempre é esquecido até a próxima enchente. No entanto, sabe-se que projetos dessa natureza demandam grandes investimentos e tempo para sua produção e execução. Precisa dinheiro e tempo, mas especialmente capacidade técnica para dar conta do problema, sem onerar os cofres públicos e com o mínimo de transtorno à população.

A chuva, tão importante para a agricultura da região de Marechal Cândido Rondon, pode ser também sinônimo de medo e prejuízos, de perigo contra a vida e contra o patrimônio público e privado. Isso porque as administrações das últimas décadas deixaram de investir em equipamentos públicos importantes, como o simples escoamento da água das chuvas. Isso mostra a importância de monitorar as obras públicas, adequando-as conforme a demanda muda com os anos.

Enquanto as melhorias não acontecem, o jeito é rezar para São Pedro maneirar na quantidade de água que destina à cidade. A força da natureza é implacável e indomável, mas as administrações públicas têm a obrigação de tornar as cidades mais protegidas e capazes de enfrentar tais eventualidades.

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