Dom João Carlos Seneme

“Fazei tudo o que Ele vos disser”

A liturgia deste domingo (12) invoca Maria sob o título de Aparecida, solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A história nos conta que uma imagem foi encontrada por dois pescadores do Rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, por volta do ano de 1717. Era de cor escura pelo tempo que permaneceu no rio. Foi-lhe dado o nome de Aparecida, por ter aparecido do meio das águas nas mãos de pescadores. Negra, diferentemente de todas as imagens aqui existentes naquele período ainda de colonização, provocou uma imediata identificação com o povo, já mestiço desde então.

Os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso já pescavam há bastante tempo, sem que conseguissem tirar peixe algum das águas do rio. Foi quando João trouxe em sua rede a parte correspondente ao corpo da imagem e, depois, lançando a rede um pouco mais distante, trouxe nela a cabeça da Senhora. Dali por diante, a pescaria tornou-se copiosa e, receosos de que a quantidade de peixe trazida para os barcos ocasionasse um naufrágio, os três amigos voltaram para casa, trazendo a imagem e contando a todos o prodígio que haviam vivido.

A imagem aparecida nas águas diz muita coisa. Em Maria, todo sofredor se sente acolhido e restaurado, apesar da dor, e reanimado na esperança. Maria é sinal de que Deus é fiel e jamais abandona seus filhos. Maria é sinal de que o amor de Deus é muito maior que o amor de mãe (Is 48,15).

O culto à Senhora Aparecida não tardou a tomar corpo e consistência, ganhando o apoio da Igreja. Inicialmente instalada em uma capela na vila dos pescadores, ganhou, por volta do ano de 1745, sua primeira igreja oficial, em torno da qual viria a nascer o povoado e o Santuário de Aparecida do Norte. A igreja primeira permanece lá, e ao visitá-la, tendo diante de si a grandiosidade da Basílica, pode-se imaginar a abrangência dessa devoção tão particular do povo brasileiro.

O Evangelho deste domingo se refere às Bodas de Caná (Jo 2,1-11). O texto nos coloca num ambiente de uma festa de casamento: encontro de famílias, celebração do amor, da vida e esperança. Renovava-se a confiança na vida e se esperava a vinda de novos filhos, primeira garantia da continuidade do Povo de Deus. Também revelava-se nas núpcias a união de Deus com o seu povo.

Maria está na festa e demonstra a sua preocupação com os noivos e as famílias e confia em Jesus; ela sabe que Ele pode mudar a tristeza em alegria e pede que Ele interfira. Jesus, no primeiro momento, reage dizendo que sua hora ainda não chegou, ou seja, não é o momento ainda de revelar a sua identidade de Filho de Deus e iniciar a sua missão. Maria compreende que não se trata somente de resolver um problema da falta de vinho. O gesto de Jesus vai além: ajudará as pessoas a conheceram melhor quem é Jesus e acreditarão n’Ele e o seguirão como Filho de Deus.

“Fazei tudo o que ele vos disser”. Palavras que recordam a entrega de Maria ao plano de Deus: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Maria não só realiza a vontade de Deus em sua vida, mas também orienta os outros a fazerem o que Deus lhes pede. Aqui ela se torna pedagoga e guia dos cristãos. É mãe atenta às necessidades das pessoas, movida pela bondade e pela caridade. É também intercessora: ela pede por nós ao Senhor, está sempre atenta às necessidades de seus filhos e filhas.

Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil, cuida dos teus filhos, sustenta nossa caminhada de Igreja samaritana nos caminhos de Jesus, nosso Salvador.

 

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