Uningá Vestibular 2020
Dom João Carlos Seneme

Ficai atentos: o nosso Salvador está chegando

Neste domingo (1º) a Igreja inicia o novo Ano Litúrgico com a celebração do 1º Domingo do Advento. Diferentemente do ano civil, com o Tempo do Advento, a Liturgia da Igreja inicia um “ano novo” onde nossa vida de fé é marcada e ritmada pela celebração do Mistério de Deus realizado em Jesus. Tempo litúrgico em que vamos acompanhar os passos de Jesus pelo evangelista São Mateus.

O Advento é o período de quatro semanas que antecede o Natal; é tempo de espera e de preparo espiritual para celebrar a vinda de Deus no meio de nós. É um tempo reservado para parar e refletir, meditar, cantar e recontar a história do nascimento do menino Jesus. Tempo para intensificar a leitura e a meditação da Palavra de Deus e a penitência.

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A escolha deste Evangelho no início do ano litúrgico quer despertar a esperança e a preparação. Esta época do ano é marcada pela correria, falta de tempo para organizar tudo e neste momento somos advertidos a mudar a rota de nossas vidas, buscar a conversão, rever nossas atitudes e começar tudo de novo partindo da preparação para a chegada do Menino-Deus. Talvez porque precisamos também parar e pensar no dia do nosso encontro definitivo com Deus, quando vamos prestar contas do que fizemos com nossas vidas principalmente na dimensão do amor a Deus e ao próximo. O ser humano tem nas próprias mãos a salvação ou a condenação. Aí está a razão porque o Evangelho conclui com um apelo à vigilância.

Para Mateus, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém saiba o dia nem a hora (cf. Mt 24,36); quem crê deve estar vigilante, preparado e ativo. Jesus exorta os discípulos a um discernimento fundamentado na história pessoal e humana. Os dois homens no campo e as duas mulheres no moinho indicam a vida cotidiana, com suas ocupações e deveres. Portanto, é preciso discernir os sinais da vinda do Senhor na vida de todos os dias, no cotidiano. Outro exemplo é o tempo de Noé e a chegada do dilúvio. Ninguém escutou a advertência: continuaram a comer, beber e se casar. Não há nada de errado nisto. A leitura não enfatiza a maldade dos comportamentos humanos que merecem castigo, mas a indiferença dos fiéis: viver como se o Senhor não viesse mais. Há também o exemplo do dono da casa descuidado, que não se preparou para a chegada do Senhor.

Advento é tempo de espera para acolher o Salvador. É necessário preparar o coração, endireitar as estradas, organizar a vida, trilhar os caminhos de Deus, praticar a justiça. É uma espera ativa. Qualquer distração nos fará perder a oportunidade de encontrar o Senhor que vem. Todos somos convidados a assumir nossa responsabilidade, abrindo-nos à ação do Espírito.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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