Copagril
Arno Kunzler

Final surpreendente

Longe de tentar ser justiceiro e nem me colocando na condição de antever o futuro, mas as decisões tomadas pelos vereadores de Marechal Cândido Rondon surpreendem.

Primeiro, pela forma como se organizaram os grupos políticos. Era pouco provável até o fim do ano passado que a Câmara de Marechal Cândido Rondon encontrasse em 2019 um ambiente tão diferente e tão adverso ao prefeito em relação a 2018.

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A formação de um bloco de oposição (bem radical) ao prefeito Marcio Rauber, depois da eleição da nova mesa diretora – comandada pela oposição, foi tornando o embate cada vez mais agressivo e imprevisível.

Falava-se em cassação coletiva e até processo de impeachment do prefeito.

As acusações eram contundentes e pareciam nos levar a outro desfecho.

Mas, ao final de tudo e de todos, o que prevaleceu foi a “velha” política.

Talvez com medo que todos pudessem sair perdedores, as bancadas foram se defendendo, ou defendendo os seus, praticamente das mesmas acusações que faziam contra os adversários.

E aí o resultado não poderia ser outro, a não ser a absolvição de todos, caso contrário, os próprios teriam que cassar seus pares.

E isso, convenhamos, nem na velha e nem na nova política convém.

Tudo indica que, caso sejam mesmo todos absolvidos, tenhamos um período de acomodação e menos emoções.

Claro, o eleitor/cidadão adoraria ver cassações em série, depois de tantas acusações e até prisões.

É o desejo do eleitor, não necessariamente o desejo dos que compõem o Legislativo.

Resta saber como será o encaminhamento para as próximas eleições, se os que foram voltarão, assim como Adriano Backes, contemplado com o cargo de secretário, ou se serão agora levados a cerrar fileiras com eventuais candidatos adversários do prefeito Marcio.

Desse episódio, quem saiu fortalecido, num primeiro momento pelo menos, foi o prefeito.

E quem saiu derrotado certamente foi a Câmara de Vereadores, e isso pode ter reflexos nas próximas eleições.

Se algum vereador sonhava em ser candidato, embalado pelas discussões no Legislativo e a popularidade que isso daria, pode ter errado o tiro.

Talvez o desgaste da Câmara seja tão grande que respingue nas pretensões da maioria dos atuais vereadores, a não ser que eles encontrem um novo momento, uma nova motivação e uma outra forma de reconquistar a opinião pública.

Parece que está claro que a maioria de oposição na Câmara se dissolveu e a intenção de cassar o prefeito morreu antes de começar.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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