Elio Migliorança

FRACKING – A MORTE VEM DAS PROFUNDEZAS I

Preste atenção nesta palavra inglesa “fracking”, pois ela pode representar destruição e morte para a nossa região. A origem deste risco teve data de nascimento: 28 de novembro de 2013. Foi neste dia que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) leiloou 240 blocos para exploração de gás em terra, em diversos Estados brasileiros, na maioria deles com uso deste polêmico sistema chamado “fracking”. Traduzida para o português, significa: fratura hidráulica. Técnica conhecida desde 1940, foi nos últimos 20 anos que o seu uso tornou-se economicamente viável devido ao alto valor dos combustíveis fósseis. Para trazer o gás à superfície, são abertos poços no sentido vertical a uma profundidade média de três mil metros, e então naquela profundidade segue-se em várias direções com poços na horizontal numa extensão que vai de quinhentos a até dois mil metros. Nestes poços são injetados de 20 a 30 milhões de litros de água, o que equivale mais ou menos a 500 caminhões-tanque, água esta misturada com areia e mais 600 substâncias químicas, algumas delas cancerígenas e outras altamente poluidoras. Os materiais são injetados sob pressão tal que vão provocar explosões no subsolo, despedaçando as rochas para que nas fendas provocadas pelas rachaduras o gás seja liberado. Cada poço pode ser fraturado até 18 vezes e para cada operação utiliza-se aquela quantidade de água e demais substâncias. Parte desta água é bombeada depois até a superfície com o gás que contém não apenas o fluido do “fracking” mas também metais pesados e hidrocarbonetos, podendo também trazer substâncias radioativas. As estações de tratamento não conseguem remover esses tipos de resíduos. As substâncias radioativas serão liberadas para a atmosfera por evaporação e podem provocar as chamadas chuvas ácidas, comuns em regiões onde ocorreram acidentes com usinas nucleares. Durante o processo de explosões subterrâneas, as rachaduras podem colocar este coquetel de substâncias químicas em contato direto com as águas subterrâneas que são extraídas em nossa região através dos poços artesianos, contaminando nosso lençol freático. Nos Estados Unidos, onde o processo ainda é utilizado em algumas regiões, já estão comprovados mais de mil casos de contaminação de águas subterrâneas próximas das áreas de perfuração. Pesquisas recentes indicaram que no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, em um período de 14 meses foram registrados pelo menos 109 pequenos terremotos. Os fenômenos começaram após 13 dias do início das fraturas hidráulicas na região. Na Argentina, em Neuquén, uma região produtora de maçãs, em função da contaminação dos lençóis freáticos pela técnica de “fracking”, os frutos produzidos na região foram proibidos de entrar em países europeus. Vários países europeus, entre eles França, Alemanha, Itália e Irlanda, proibiram o uso deste processo em seus territórios. Voltando agora os olhos para o nosso Estado, no leilão realizado em novembro passado, 123 cidades do Paraná fazem parte dos blocos leiloados, atingindo todo o Oeste, Sudoeste, Centro e Noroeste do Estado. Na próxima semana teremos a segunda parte deste artigo, e teremos então a certeza de que nunca antes na história deste país uma maldição tão destrutiva esteve tão próxima de cair sobre nossas cabeças.
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
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