Pref. Pato Bragado Natal em Canto 2019
Elio Migliorança

FRACKING – A MORTE VEM DAS PROFUNDEZAS (parte 2)

Continuando o tema da semana passada, é importante saber que por lei federal o subsolo do país pertence à União, logo é de responsabilidade do governo federal o leilão realizado ano passado. Assim como a Funai demarca terras e as entrega aos índios mesmo quando os proprietários possuem escritura registrada, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), órgão do governo federal, simplesmente vendeu aquilo que está debaixo dos nossos pés. Se as águas subterrâneas forem contaminadas, não haverá mais produção de aves, suínos e leite. Com isso, 50% da força econômica da região estará fulminada. A água e os alimentos serão contaminados com substâncias cancerígenas, cujas consequências serão doenças e morte certas. O gás de xisto não tem cheiro, portanto pode espalhar-se no ar e estaremos nos envenenando sem perceber. Resíduos do “fracking” poderão ser liberados no ar, como o metano e o cloreto de potássio. Viveremos aqui uma nova Chernobyl. Chernobyl foi um dos maiores acidentes envolvendo usinas nucleares, já que em 26 de abril de 1986 um de seus reatores explodiu, liberando enorme quantidade de elementos radioativos que se espalharam pela União Soviética, matando mais de 90 mil pessoas ao longo de várias décadas. Debaixo dos nossos pés está a segunda maior reserva de água do mundo, o Aquífero Guarani, considerado um dos bens mais preciosos para a humanidade no futuro. Sem combustível podemos viver, afinal se não temos carros vamos andar de bicicleta, mas sem água um ser humano não vive mais que dez dias. Com tantas fontes de energia à nossa disposição, desde a luz solar, é incompreensível e inaceitável este tipo de exploração subterrânea que pode comprometer e acabar com tudo o que temos, inclusive nossa perspectiva de futuro. São muitas perguntas a fazer, mas a maior talvez seja esta: se os riscos são tantos, por que o governo está fazendo isso? São várias respostas: insanidade, estupidez, corrupção. E, pasmem, a maior fatia de blocos foi arrematada pela Petrobras, aquela das propagandas tão bonitas do tipo “o desafio é a nossa energia”, e os demais blocos, ela de novo, em consórcio com empresas estrangeiras. Os primeiros blocos leiloados estão localizados em regiões de alta produção agropecuária no Brasil. Isso interessa aos americanos, pois acabando com nossa produção, a deles valerá muito mais. É possível assim entender os gigantescos escândalos envolvendo a Petrobrás. Tem gente ganhando “rios de dinheiro” na venda da nossa água, da nossa produção, da nossa saúde e até do nosso futuro. Com a dívida pública chegando aos R$ 2 trilhões, alguém viu aí um jeito de reforçar o caixa, afinal, tem as dívidas da Copa e as eleições vem aí. Se um agricultor joga uma simples “bosta de porco” na água do rio, pode ser multado e até preso pelos órgãos ambientais. Que podemos fazer nós contra um governo que vende nossas águas, o ar que respiramos e a saúde dos nossos filhos? Da natureza depende a vida de nosso povo. Amanhã começo meu protesto solitário: não abasteço mais em postos Petrobras. Nesta hora ninguém pode omitir-se. Vamos reagir, gritar, protestar, participar das manifestações e cobrar dos nossos representantes uma posição dura e definitiva contra um governo que está se tornando nosso inimigo. 
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

TOPO