Elio Migliorança

Frases e imagens reais

No distante ano de 1984 atravessei a cortina de ferro que cercava os países dominados pela União Soviética.

Percorrendo as ruas da cidade de Zalaapáti, no interior da Hungria, meu anfitrião Dom Severino Kögl, nascido na Hungria e naturalizado brasileiro, nosso pároco e professor no Colégio de Nova Santa Rosa, relatava o que havia vivido naquela cidade como padre e professor após a 2ª Guerra Mundial. Contou que o país foi entregue à União Soviética como espólio de guerra, e eles iniciaram a implantação do regime comunista no país. As mudanças começaram modificando aos poucos a legislação para que o povo não percebesse o objetivo final.

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Dom Severino era o representante dos professores na Câmara de Vereadores local, e em cada projeto apresentado percebia a esperteza e denunciava publicamente quais as verdadeiras intenções das autoridades, alertando o povo que o objetivo final era implantar o regime no país, eliminando quem se opusesse. Tornou-se ele um perigo para o regime e teve que fugir do país ao ser marcado para morrer.

Nos últimos 15 dias lembrei desta história porque no meio da guerra mortal que enfrentamos, cujo inimigo não é o comunismo, mas um assassino invisível que vai matando esquerda e direita, cristãos e ateus, sem respeitar raça, cor ou profissão. Algumas frases e imagens dão a dimensão do que vem aí, a guerra dos que querem tirar proveito da situação e a turba dos palpiteiros radicais que na falta de argumentos partem para a agressão.

A gravidade da situação está no alerta feito pela Organização Mundial da Saúde, que declarou: “a Covid19 é dez vezes mais mortal que a gripe H1N1”. Uma frase chocante veio do presidente da República, que, em recente entrevista, declarou: “cada filho que cuide de seus pais, seus avós, poxa. Isso não é obrigação do Poder Público. O povo tem que parar de deixar as coisas em cima do Poder Público”. Senti-me atingido, afinal, na campanha o discurso era outro, por isso votei nele.

As pessoas que têm hoje mais de 60 anos carregaram este país nas costas. Foram os autores da transformação que o país alcançou nos últimos 30 anos. Pagaram altos impostos justamente para serem amparados na sua velhice pelo Estado, que, segundo a Constituição, tem o dever, sim, de prover o bem-estar de seu povo, inclusive dos mais velhos.

A morte não escolhe idade, pois no Brasil 25% das mortes são de pessoas que estão fora dos grupos de risco, abaixo de 60 anos e sem doenças pré-existentes. Quando faleceu o senhor Vieira Monteiro, presidente do Banco Santander de Portugal, sua filha escreveu: “somos uma família milionária, mas meu pai morreu sozinho e sufocado, buscando algo que é grátis… o ar. O dinheiro ficou em casa”.

A imagem mais chocante vem de Guaiaquil, no Equador, onde, na semana passada, foram recolhidos mais de 700 corpos que estavam nas casas ou alguns jogados na rua pelas pessoas, que, apavoradas, temem a contaminação.

Impossível adivinhar onde alguns querem chegar com a disputa política em torno da tragédia ou aqueles que negam a gravidade da situação, achando que são imortais e não serão atingidos. Meu amigo Dom Severino percebeu onde os comunistas queriam chegar, eu aqui ainda não consegui entender onde o governo e os descrentes querem chegar.

Que Deus nos ajude a entender, discernir e achar o melhor caminho para sair dessa vivos.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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