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Editorial

Freio no êxodo

As atividades agrícolas no Oeste do Paraná dos anos 1980 faziam o produtor rural sofrer muito e ganhar pouco. A criação de animais para subsistência, produção de leite com meia dúzia de animais e grãos em poucos hectares não eram suficientes para o produtor ter uma vida boa. Pelo contrário, o que se via era muita pequena propriedade pouco tecnificada, pouco produtiva e pouco rentável.

Nos anos seguintes, assustados com as duras realidades vivenciadas pelos seus pais, houve uma debandada de filhos de agricultores para as cidades. Em todo o país, aliás, o campo perdeu muita gente, que foi tentar a vida longe daquele cenário nada convidativo comum a tantas outras propriedades do país. Alguns se deram bem, conseguiram bons empregos, estudaram. Outros nem tanto.

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Nos últimos anos, no entanto, o modelo do agronegócio no Oeste do Paraná mudou radicalmente. A alta produtividade alcançada nas lavouras de soja e milho, o desempenho estratosférico da cadeia do leite e o boom na produção de aves, suínos e peixes redefiniu a forma com que o homem do campo lida com a terra. O aparecimento de ferramentas tecnológicas, com a agricultura de precisão, a produção intensificada de animais, e o conhecimento canalizado pelo mundo moderno permitiram ao produtor rural, mesmo que pequeno, ter uma vida mais digna, mais justa e uma atividade rural mais lucrativa.

O “novo” agronegócio trouxe esperança de estancar o êxodo rural. A lucratividade e, cada vez mais, a comodidade das cidades está nas fazendas. Em um movimento reverso, o bom desempenho das atividades nas propriedades estimularam o jovem a ficar no campo. Das faculdades, voltam ao sítio para continuar com os negócios da família.

A falta de energia elétrica deu lugar à internet de alta velocidade, as meia dúzia de galinhas empoleiradas deram lugar a galpões com 20 mil aves, o porco para abastecer o freezer e fazer torresmo se transformou em milhares de leitões de alto padrão, o leite que antes ia para o vizinho na leiteira hoje abastece as principais indústrias lácteas do Brasil, o peixe que era para o lazer se transformou em filés de renda extra.

Nos últimos anos muita coisa mudou no agronegócio da região de Marechal Cândido Rondon. Com bases econômicas e até sociais no campo, o cidadão viu a terra perder espaço e atratividade para a vida na cidade, mas agora observa um movimento contrário e positivo de retorno às origens.

O agronegócio evoluiu e com ele evoluíram as propriedades rurais. Mesmo as mais pequenas, são valiosíssimas, capazes de produzir e contabilizar muito. A gestão das propriedades também mudou. O produtor que antes só falava da chuva – ou a falta dela – agora fala de venda futura, bolsa de valores, relatório de desempenho e política cambial. Essa evolução alicerçada em profissionalismo, trabalho e inovação garantiu ao país não somente frear o êxodo rural, mas redimensionar a importância da agricultura familiar e valorizar as pequenas propriedades desse país

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