Copagril – Sou agro com orgulho
Arno Kunzler

Fusca & voto impresso

O que o Fusca tem a ver com voto impresso?

Nada.

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O Fusca ressuscitou no Brasil por um gesto de inconformismo do ex-presidente Itamar Franco, no início dos anos 90.

Nied 2021 G1

Depois da Volkswagen ter paralisado a produção do Fusca por ser um carro com tecnologia e design ultrapassados, Itamar Franco achou que o Fusca deveria voltar, pediu e a indústria aceitou produzi-lo novamente.

Itamar sofreu uma chuva de críticas pela interferência e a produção do Fusca fracassou em pouco tempo.

Agora estamos novamente diante de um fato em que o presidente da República quer se intrometer em um assunto que é pela ordem de responsabilidade do Congresso Nacional e da Justiça Eleitoral.

Diferente do Fusca de Itamar Franco, o preço dessa “inovação”, que tem tudo para ser um grande retrocesso, vai custar aos cofres públicos R$ 2,5 bilhões.

Por mais que a tropa de choque de Bolsonaro, especialmente nas redes sociais, tente convencer as pessoas que o voto impresso é mais seguro e auditável, na prática não há nenhuma certeza que será. Pelo contrário, podemos mergulhar num abismo de ações judiciais e incertezas sem precedentes, colocando, até mesmo, nossas eleições em risco.

Talvez seja essa de fato a intenção.

A continuar nessa caminhada, não será surpresa se daqui a pouco surgir alguém para promover campanha pela volta dos carburadores nos motores dos nossos carros, sob alegação de que a injeção eletrônica não é confiável.

Já dizia um importante líder do passado: o Brasil é tão grande e tão rico que basta ter um governo que não atrapalhe para se tornar um gigante.

Mas, pelo jeito, insistimos em eleger presidentes que usam a força e o peso de seus cargos para impor vontades próprias que muito mais atrapalham do que ajudam.

Está mais do que na hora de entender que não é na porrada e na força que conseguiremos construir um grande país democrático.

Se queremos promover “ordem e progresso” temos que, em primeiro lugar, todos nós, inclusive o presidente da República, nos submeter às leis existentes.

Podemos e devemos “sugerir” mudanças para aperfeiçoar nossas leis a qualquer tempo e em qualquer lugar, mas não “exigir” mudanças como se pretende, tipo o molequinho “dono” da bola.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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