Brincando na Praça 2019
Editorial

Grave falta

Quase dez mil consultas foram deixadas de ser realizadas neste ano em Marechal Cândido Rondon via Sistema Único de Saúde (SUS). O problema não é a falta de médicos e especialistas, mas, sim, dos próprios pacientes. Esse é o número de consultas marcadas e que os pacientes faltaram na hora do atendimento. É mais uma dificuldade intrínseca ao sistema de saúde brasileiro. Quem perde é a própria população.

Quando uma pessoa agenda uma consulta, exige a mão de obra do funcionário público e gastos com essa consulta, como papel, programas de computador, etc. Quando ele deixa de comparecer na data, local e hora marcados, certamente gera outros custos, além, é claro e principalmente, de tirar a vaga de quem está de fato precisando. O pior. Com as faltas, aumenta o tamanho das filas e o tempo de espera. É um efeito cascata de prejuízos que poucas pessoas um dia pararam para pensar.

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A conscientização das pessoas é a primeira linha de ataque para reverter esse cenário. Fazer entender e valorizar os trabalhos nos postos de saúde é fundamental para que esse índice diminua. Uma campanha alertando sobre o assunto pode ser uma boa estratégia para tentar sensibilizar o público-alvo.

Todavia, a implantação de um sistema para se comunicar com o usuário, desde o agendamento até um ou dois dias antes da consulta, seria extremamente interessante. Dessa forma, o SUS poderia estar ciente se o usuário está interessado na vaga que lhe foi disponibilizada ou se ele desistiu de visitar o médico. Assim, as vagas abertas poderiam ser direcionadas a outras pessoas, antecipando a ida dessas aos postos de saúde. Tal sistema poderia, por exemplo, enviar mensagens para o WhatsApp dos interessados, seja para confirmar a consulta, seja para desmarcar, seja para antecipar. Um canal de interação moderno e eficaz precisa ser montado entre as equipes dos postos de saúde e os pacientes.

O mundo mudou e as interações também precisam mudar. Usar meios tecnológicos (ou não) para diminuir esses números absurdos é uma forma eficiente de melhorar os serviços públicos disponibilizados em Marechal Cândido Rondon, além de promover um melhor uso dos recursos humanos e materiais das unidades de saúde. Investimento nessa área é fundamental. Não dá para ter tanto serviço e tempo desperdiçados, especialmente quando o assunto é saúde pública.

O usuário do Sistema Único de Saúde, no entanto, é o primeiro que tem que mudar. As pessoas precisam saber que o SUS não é saúde de graça, mas, sim, resultado dos impostos que todos os brasileiros pagam incansavelmente. Tratar o público com descaso não é uma grande novidade no Brasil, mas esses números de Marechal Cândido Rondon alarmam para essa situação que só traz danos às pessoas. Alguma coisa precisa ser feita para diminuir esses altos índices de evasão dos postos de saúde do município.

O que não dá é ficar fazendo trabalho desnecessário, alongar as filas de espera, tirar as vagas de quem precisa e, no fim, ter um sistema ineficiente. Isso é uma grave falta.

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