2º Agita Rondon – 2019
Arno Kunzler

IMPEACHMENT, POR QUÊ?

As pessoas, talvez nunca como antes na história desse país, vêm sendo massacradas com informações, contrainformações e, sobretudo, desinformações. Até mesmo para pessoas esclarecidas está sendo difícil saber no que e em quem acreditar.

E essa facilidade para disseminar informações, verdadeiras e falsas também, se deve às infinitas formas criadas com o advento da internet.

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Ainda é possível escolher os meios de comunicação que têm um mínimo de confiabilidade, mas, para muitas pessoas, que estão mais distantes e se mantêm menos informadas, tudo é informação…

E aí vem a questão.

A falta de conhecimento, e também de discernimento, coloca os veículos em condições de igualdade, muitas vezes. O cidadão mal-intencionado produz uma informação falsa e multiplica milhões de vezes através das mídias sociais. Uma pequena parte das pessoas, quando leem notícias bombásticas nesses meios, logo acessa um site de confiança ou procura um jornal ou uma revista impressa para saber se neles a informação se confirma.

Os blogueiros pagos, os sites vinculados a determinados grupos políticos ou mesmo aventureiros que brincam de desinformar as pessoas conquistaram grande espaço nas mídias sociais, mas, aos poucos, carecendo de maior credibilidade, as informações necessitam ser confirmadas ou não.

Nesta semana seremos mais uma vez bombardeados com milhares de informações, meias informações, desinformações e contrainformações sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

É óbvio que tanto o arquivamento quanto a aceitação do processo, para seguir seus trâmites na Câmara, terá uma chuva de opiniões divergentes.

O certo, porém, é que, por mais que os governantes se esforcem, as pessoas percebem quando o que foi dito é mentira. E ninguém mentiu mais nos últimos tempos do que o atual governo federal… Não que outros governantes não tenham se beneficiado também de mentiras, mas é inegável que Dilma Rousseff se reelegeu por causa das mentiras, por causa dos atos do governo omitidos durante a campanha e por causa da realidade camuflada com dinheiro público que permitiu aos cidadãos, notadamente menos favorecidos, acharem que estava tudo bem e que se mudasse o governo iria piorar.

Claro que iria piorar, mas, para o azar ou sorte dos brasileiros de boa-fé, quem teve que admitir as mentiras e fazer tudo contrário do que anunciou e prometeu durante a campanha foi Dilma Rousseff.

Chega ser cômico ver seus pronunciamentos antes e durante a campanha eleitoral e compará-los com aquilo que se diz agora. Se compararmos hoje os discursos da presidente candidata à reeleição com seus atos, até parece que ela achava que perderia a eleição e tentou imputar ao sucessor e adversário tudo que seria necessário fazer depois da posse, que ela já sabia que seria necessário, mas escondeu dos brasileiros.

As contas da luz, os preços dos combustíveis, os juros, a inflação, a recessão e as demissões, obras paralisadas, as pedaladas fiscais, falta de recursos para os programas sociais e até um banqueiro como ministro da Fazenda.

Para os defensores do governo, tudo normal, eleição limpa e o impeachment é apenas uma tentativa de golpe das elites.

O pior é que têm pessoas que acham que tudo isso não são elementos para cassar o mandato da presidente.

Economia arruinada, credibilidade no nível do mar, governo sem ação e nem reação, presidente virando chacota e deboche, poder nas mãos de uma meia dúzia de pilantras, corrupção corroendo as empresas públicas e os orçamentos do Estado, prefeitos sem dinheiro para custear suas demandas, obras licitadas sem recursos…

O que falta, quais elementos precisamos para cassar o mandato de Dilma Rousseff?

Até porque, sem cassar o mandato e abreviar esse governo, vamos continuar agonizando… tratando um doente que não tem cura, perdendo tempo…

A oposição atacando e o governo se defendendo, e nós aqui, sem obras, sem serviços e sem governo… esperando três anos e alguns meses se passar para termos um novo governo. É muito tempo!!!

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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