Dom João Carlos Seneme

Jesus foi obediente até a morte e morte de cruz

Com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor iniciamos as solenidades da Semana Santa rumo a Páscoa. “Este é o dia em que a Igreja celebra a entrada de Cristo em Jerusalém para realizar seu mistério pascal”.  Jesus é apresentado como o Rei-Messias que entra e toma posse de sua cidade. Ao contrário dos outros reis, ele não entra como um rei guerreiro que marcha com seu exército, mas como um Messias humilde e manso, montado em um simples jumento.

A leitura do Evangelho que narra a paixão e morte de Jesus é despojada de todo cerimonial próprio das missas solenes: não se usam velas, nem incenso e se omite inclusive o sinal da cruz no anúncio do evangelho. É uma narração que fala por si mesma e nos causa uma profunda reverência.

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A Quaresma é um tempo em que Cristo purifica e santifica a Igreja, sua esposa, convocando todos ao jejum, oração e caridade. Neste domingo, entramos, de forma mais intensa, na centralidade de nosso esforço durante a quaresma porque é momento crucial do mistério de Cristo e da vida cristã: Jesus abraça a cruz num gesto de obediência ao Pai e de solidariedade com a humanidade. O caminho escolhido por Jesus contrasta com tudo o que se espera de Deus: ele não escolhe a força e a riqueza, mas a fraqueza e a pobreza. O sentido da celebração de hoje já está presente na introdução que antecede a procissão: “Desde o princípio da Quaresma vimos a preparar-nos com obras de penitência e de caridade. Hoje estamos aqui reunidos para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração do mistério pascal do Senhor, isto é, da sua paixão e ressurreição. Foi para realizar este mistério da sua morte e ressurreição que Jesus Cristo entrou na sua cidade de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal na cidade santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora na sua cruz, mereçamos um dia ter parte na sua ressurreição”.

A cruz, na ótica cristã, é sinal de amor, solidariedade com as vítimas, confiança no poder de Deus que se manifesta na impotência de quem se deixa crucificar por amor. Deus salva a humanidade ao se tornar humano; Ele acompanha de perto nossas fraquezas e pecados. Através da cruz Ele revela um outro modo de enfrentar a vida: a vitória está na oblação; a salvação da humanidade está na “pedra que os construtores rejeitaram”.

Jesus nos convida a segui-lo de perto, tomar sobre os ombros a cruz sem medo de compartilhar o mesmo destino. Ainda hoje muitos irmãos e irmãs continuam pregados na cruz sem a esperança da Ressurreição. Nós sabemos que Ele ressuscitará e vamos ressuscitar com Ele na Vigília da Páscoa. Este é o mistério pascal de Jesus: paixão, morte e ressurreição. Seguir Jesus é acreditar que podemos fazer um mundo mais justo e mais humano e “padecer” por um mundo mais digno vale a pena.

 

Bispo da Diocese de Toledo

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