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Dom João Carlos Seneme

Jesus, Luz do Mundo

O evangelho deste domingo (dia 26) é denso, rico de símbolos que recordam o nosso batismo, mas também revela a dificuldade em aceitar Jesus como Filho de Deus e Salvador. No centro do evangelho está a afirmação de Jesus: “Enquanto eu estou no mundo eu sou a luz do mundo”.

Através de um sinal, a cura de um cego de nascença (como o evangelista João gosta de se referir aos milagres de Jesus) e vários diálogos (os vizinhos do cego, os fariseus, os pais do cego e finalmente, o próprio, cego), o evangelista apresenta Jesus como luz que conduz a Deus. É preciso pedir que ele se manifeste e acreditar nele.

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Mais do que a cura do cego nascença, o que interessa no texto é o itinerário de fé que este homem faz. Ele vai amadurecendo a fé até afirmar que Jesus é o Senhor. É uma espécie de catequese que implica num processo que vai descortinando a descoberta e aceitação de Jesus como o Salvador. O homem cego, que retoma a visão pela ação de Jesus, no início não sabe quem é Jesus e, aos poucos, vai descobrindo o que aconteceu com ele: Jesus lhe deu a visão que os fariseus querem tirar. Aqui se encontra a polêmica do texto: este pobre homem que nasceu cego deve escolher entre uma religião de vida, de luz, de felicidade ou uma religião de morte, como lhe propõem os fariseus, que se irritam mais porque o milagre aconteceu no sábado. Jesus quer revelar que Deus acompanha o sofrimento de seus filhos e filhas não importa onde eles estejam, dentro da sinagoga, na rua, se é sábado ou domingo.

O homem deve lavar-se na piscina de Siloé. É que acontece quando somos batizados, somos submersos no mistério da vida do Senhor. No nosso relato, todos percebem que ali aconteceu algo maravilhoso, não compreendem tudo, mas sentem a manifestação de Deus. Somente pela fé conseguem intuir que um milagre aconteceu. Precisamos de um olhar especial para compreender o que Deus realiza em nossas vidas. Muitas vezes precisamos deixar de lado nossos critérios humanos e arriscar-se no mundo de Deus para descobrir seus caminhos e segui-los sem medo. Aquele homem curado da cegueira começa a experimentar a salvação de Deus trazida por Jesus Cristo, mas ainda não sabe quem Ele é. Os fariseus não conseguem fazer este mesmo caminho porque estão presos a esquemas antigos e preconceituosos que dificultam o encontro com Jesus e com a vida nova que ele traz. De forma irônica eles podem ver, mas estão “cegos” e não podem ser curados, pois têm o coração fechado.

O caminho de fé que faz o cego torna-se um modelo para todos. Por isso mesmo este texto era lido aos catecúmenos que se preparavam para o batismo. O caminho de fé parte da total cegueira até chegar à visão de Jesus como Senhor: “Eu creio, Senhor” e “prostrou-se diante dele”. A atitude deste homem revela a sabedoria de quem tem consciência da própria fragilidade e aceita questionar se a si mesmo e suas certezas para abrir-se à novidade de Deus.

O autor é bispo da Diocese de Toledo

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