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Dom João Carlos Seneme

Jesus olhou para ele com amor

 

O Evangelho deste domingo (14) é marcante, cheio de significados que indicam a busca pelo sentido da vida e pela felicidade que se encontra em Deus. Jesus aponta um caminho espiritual com exigências e renúncias para fazer parte do Reino de Deus.

O texto inicia com um homem correndo, que se ajoelha diante de Jesus e lhe pergunta o que fazer para chegar à vida eterna. No transcorrer do texto saberemos que se trata de alguém rico, mas insatisfeito, que percebe que tudo o que tem não o faz totalmente feliz. Sabendo que Jesus é um grande mestre, ele se aproxima buscando respostas para suas questões existenciais. Jesus o acolhe e diz que o único Mestre verdadeiro é Deus, só Ele pode dar a salvação. Em seguida aponta o caminho dos mandamentos de Deus de uma forma particular: acentua os mandamentos relativos ao próximo, o “que fazer” para chegar à vida eterna: não matar, não roubar, não enganar, não fazer mal a ninguém e honrar pai e mãe.

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O homem responde que tem observado todos estes mandamentos desde a sua juventude. Mas tudo isso ainda não o faz feliz, precisa de algo mais. Neste instante, Jesus o olha com carinho e revela a misericórdia do Pai. O homem tem tudo o que os padrões da época indicavam como “felicidade”: poder, dinheiro, respeito; e mesmo fazendo tudo o que está prescrito nos mandamentos não é feliz.

O amor de Jesus por este homem sedento o faz propor-lhe algo novo. A primeira coisa a fazer é não ser escravo de suas posses e do bem-estar que elas trazem: “vai, vende tudo o que tens”. A segunda é ajudar os pobres: “dá aos pobres e terás um tesouro no céu”. O último passo é o seguimento: “vem e segue-me”. O Evangelho nos diz que o homem franziu a testa, levantou-se e foi embora triste porque era muito rico. O que nos faz ver que era muito difícil para ele se arriscar tanto: deixar tudo o que conseguiu para seguir Jesus sem nenhuma segurança.

A lição do Evangelho deste domingo é que a salvação oferecida por Deus é dom, não podemos “comprá-la”. O amor de Deus é gratuito. Ninguém pode pensar que vai conseguir a herança eterna com base em suas posses, poder, capacidade intelectual, mérito ou recompensa. Para entrar no Reino é necessário um coração simples, desapegado e livre. Não há aqui uma condenação à riqueza, mas que devemos colocá-la em seu devido lugar: ela não é fim, mas meio. Para conhecer o Deus verdadeiro é preciso dar passos decididos e corajosos em sua direção. Dizer com Santa Teresa D’Ávila: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança; quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta”.

Os discípulos ficaram confusos e atordoados, porque ainda não estavam em sintonia com o modo de pensar de Jesus. Eles acreditavam que a riqueza era dom de Deus. Jesus apresenta uma comparação chocante: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”! Ou seja, é impossível. Mas ele acrescenta: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. Sempre há a esperança em colocar Deus no centro de nossas. Por isso devemos sempre pedir o dom da conversão.

Senhor, dá-nos um coração aberto para te acolher como sentido de nossas vidas, que nada nos impeça de trilhar o caminho da vida eterna que se encontra em amar-te sobre todas as coisas e amar o próximo com solidariedade.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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