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Dom João Carlos Seneme

Jesus, semente de vida eterna, veio habitar entre nós

O Evangelho deste domingo (13) faz parte do discurso em parábolas que recolhe sete (ou oito) parábolas e suas explicações. São chamadas de “parábolas do Reino”. O tema que perpassa todas as parábolas é o mistério da acolhida ou rejeição da palavra de Jesus sobre o Reino de Deus. A intenção de Jesus em falar em parábolas é tornar mais acessível o diálogo com seus ouvintes e deixar uma mensagem que toque o coração e provoque a conversão. A parábola do semeador reflete a situação de resistência de alguns e a indecisão de outros diante da proposta do Reino apresentada por Jesus. Quem não quer aceitar, se nega a compreender. Os discípulos são iniciados neste mistério de Deus, e ao compreender e aceitar estão entrando no Reino de Deus. O clima é desafiador devido ao confronto com os judeus apresentados nos capítulos anteriores e a recusa por parte dos conterrâneos de Jesus. Deste modo se esclarece e aprofunda a distinção já acenada entre os discípulos e a multidão: a ela Jesus fala em parábolas, a eles revela abertamente os mistérios do Reino. O critério para a distinção entre os dois grupos é a escuta da Palavra, o conhecimento dos mistérios do Reino (= relação pessoal com Jesus).O início do relato coloca Jesus saindo de casa e sentando-se à beira-mar (trata-se do Lago de Genesaré, também chamado de Mar da Galileia) para ensinar. Jesus deixa a intimidade de sua casa, lugar reservado para as explicações oferecidas aos discípulos e se coloca diante da multidão. A referência ao tempo, “naquele dia”, sugere uma continuidade em relação aos acontecimentos precedentes: confronto com a multidão, os fariseus e os chefes dos judeus. Desta forma, as parábolas, mais que uma instrução, querem ser um apelo urgente para tomar posição, a favor ou contra Jesus, isto é, a aceitar verdadeira e profundamente sua Palavra.A imagem do semeador refere-se à ação de Deus que intervém com a promessa cheia de esperança em tempos de crise de seu povo. A mensagem da passagem evangélica é sugerida pelo contraste entre os três primeiros tipos de solo e o quarto. Descreve uma atividade bastante comum em Israel, a semeadura ou plantio. Essa atividade, devido às condições climáticas, exigia muito esforço. A mensagem de Jesus indica um questionamento: “Por que a Palavra de Deus produz frutos em uns e em outros não? Deus faz distinção de pessoas”? A intenção do semeador é recolher muitos frutos com seu árduo trabalho. Vemos que o nosso semeador não é muito prático e habilidoso. Ele joga a semente em todos os lugares sem muito critério: beira do caminho, terreno cheio de pedras, no meio de espinhos e, finalmente, terra boa. Isto tudo para dizer que Deus oferece a sua Palavra a todos, sem distinção, e espera pacientemente que a acolhamos como terra boa, adubada e produzamos frutos abundantemente. A parábola, portanto, refere-se às diferentes reações diante da palavra de Jesus e sua missão. É bem possível que exista um contexto de crise entre os seguidores de Jesus: desânimo, desconfiança, o resultado não é o esperado porque muitos abandonam o projeto do Reino de Deus. Diante disto, Jesus diz aos discípulos desiludidos: “Coragem. Não desanimem”. Pode existir um aparente fracasso, mas o resultado final será surpreendente e maravilhoso: “Outras (sementes) caíram em terra boa e produziram frutos, uma 100, outra 60, outra 30. Quem tem ouvidos, ouça”! Hoje o terreno bom é aquele cristão que, antes de tudo, tem sede da Palavra de Deus, que a ama, que se preocupa em ouvi-la, compreendê-la e aplicá-la em sua vida, de modo que ela germine e produza frutos. Há muitos exemplos bons entre nós: a Palavra de Deus encontra muitos corações disponíveis, muito terreno bom. Semear é sempre um ato de fé na semente e na terra, assim como viver é sempre um ato de fé em Deus e na humanidade. 
* O autor é bispo da Diocese de Toledo
revistacristorei@diocesetoledo.org

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