Copagril – Sou agro com orgulho
Tarcísio Vanderlinde

Josefo e a Eira Milenar de Araúna

A antiga eira no coração de Jerusalém costuma ser apontada como um dos ambientes mais explosivos de nosso tempo. O lugar é conhecido por vários nomes. Possivelmente o mais antigo é Monte Moriá. Depois veio a Eira de Araúna. Para judeus e cristãos o lugar é hoje o Monte do Templo; para muçulmanos, a Esplanada das Mesquitas.

O lugar foi palco de disputas sangrentas desde a época dos romanos e é considerado hoje o terceiro lugar mais sagrado para o mundo muçulmano depois de Meca e Medina, centros de peregrinação que ficam na Arábia Saudita.

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No ano 2000, um passeio do então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon (1928-2014) pelo local foi interpretado pelos muçulmanos como uma afronta. O episódio desencadeou a Segunda Intifada (revolta) da população palestina contra o Estado de Israel.

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Aquela intifada é também conhecida como a revolta de Al Aqsa (nome de uma das mesquitas da Esplanada), por identificar o local onde começou o levante. Ao final de 2014 aquele local voltou a registrar os maiores distúrbios ocorridos nos últimos 40 anos entre palestinos e a polícia de Israel. Incêndios e atos de violência voltaram a ocorrer na eira no dia 10 de maio de 2021.

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Flávio Josefo conta a história do lugar, que paralelamente acompanha os relatos bíblicos. De acordo com o historiador, aquele lugar era o mesmo no qual Abraão em tempos pretéritos teria levado Isaque para oferecer a Deus em sacrifício. A história é bem conhecida no meio judaico-cristão.

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Há cerca de três mil anos pertencia a Araúna um agricultor jebuseu que foi contemporâneo do rei Davi. O lugar entra no relato de Josefo como palco de uma epidemia que dizimou parte significativa da população de Israel.

Tudo teria começado com um recenseamento populacional decretado por Davi e que não foi do agrado de Deus. Em decorrência, abateu-se uma peste sobre o povo sem que algo se conhecesse para debelar.

No testemunho de Josefo a peste feria os homens de maneira diferente. Alguns pareciam não demonstrar a doença, mas acabavam morrendo depressa, tinham dores atrozes, perdiam a vista e ficavam sufocados. Outros, quando enterravam os mortos, morriam também, e eram enterrados com eles.

Josefo conta que, em meio à epidemia, Davi se arrepende de ter decretado o censo, veste-se de saco, cobre a cabeça com cinzas e a peste cessa. Procurando ser grato, compra a Eira de Araúna por 50 peças de prata, ergue ali um altar e oferece sacrifício. No local ocorreria a construção do primeiro templo judaico.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

Grupo Costa Oeste 2021

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

 

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