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Tarcísio Vanderlinde

Josefo e as paisagens das terras bíblicas

Tanto estudiosos quanto arqueólogos que se identificam com os relatos bíblicos reconhecem a importância das informações de cunho geográfico que aparecem na obra do historiador Flávio Josefo. O geógrafo explorador Edward Robinson, que viveu durante o século XVIII, fez várias descobertas na antiga Palestina seguindo pistas que encontrou na obra de Josefo.

Uma das descrições de Josefo se refere ao monte Sinai, lugar onde Moisés teria, num determinado dia, levado suas ovelhas para pastar. Josefo informa ser o Sinai o monte mais alto daquela região, muito rico em pastagens (atualmente desértico) e que apresentava fertilidade natural, mas que era evitado pelos pastores “por causa da santidade do lugar onde se dizia que Deus morava lá”.

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Outra descrição menciona a região de Jericó, lugar que até hoje ainda lembra o relato pelas plantações de tamareiras ali existentes: “A região é abundante em palmeiras e onde cresce o bálsamo, que é o mais precioso de todos os perfumes, destilados de arbustos que o produzem, mediante incisões com pedras bem afiadas”.

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Da localização de Jerusalém, Josefo observa se tratar de uma “cidade bem fortificada de todos os lados, exceto do Norte, onde um vale largo e profundo rodeava o templo, que era assim cercado por uma grossa muralha”. Outros detalhes topográficos relacionados a Jerusalém ainda aparecem quando Josefo narra o cerco da cidade pelas tropas romanas comandadas pelo general Tito no ano 70.

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A Galileia, cenário emblemático do ministério de Jesus, recebe de Josefo uma descrição que poderia bem que ser datada do início deste século, dada a sua intrigante atualidade: “As terras são tão férteis e tão bem plantadas, com toda espécie de árvores que sua abundância convida cultivá-las mesmo àqueles que têm pouca inclinação para a lavoura e não há terras inúteis”. Junto às “torrentes que caem das montanhas”, Josefo menciona cultivos tradicionais que o visitante dos dias atuais ainda pode observar: videiras, palmeiras e oliveiras.

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Josefo faz uma descrição primorosa do cenário ao circunscrever o ambiente onde nasce o Rio Jordão, ao Norte de Israel: “Há ali perto uma montanha tão alta cujo vértice parece tocar as nuvens (possivelmente o monte Hermon); no fundo do vale, que está abaixo, há uma tenebrosa caverna, que as águas caindo do alto, cavaram com o tempo, tão profunda que dificilmente se poderia encontrar-lhe o fundo, pela incrível quantidade de água que contém”. E conclui: “do pé dessa caverna jorram as fontes de que se julga ter o Jordão sua nascente”.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

Grupo Costa Oeste 2021

tarcisiovanderlinde@gmail.com

 

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