Arno Kunzler

Juros baixos = desenvolvimento

Não tem nada mais propício para gerar desenvolvimento do que dinheiro disponível a juros baixos.

A primeira reação é das pessoas que têm dinheiro aplicado. Percebendo que rende pouco, muitas acabam fazendo algum investimento ou aquisição de bens ou serviços.

Casa do Eletricista – Clorador Agosto

A segunda é daquelas que têm projetos que por falta de recursos foram postergados.

O dinheiro barato, parado, desperta novos investimentos. Assim, a roda da economia começa a girar e com ela a sensação de confiança das pessoas.

Na economia, confiança é tudo. Desperta o desejo de fazer negócios, de comprar, de consumir.

O que não pode acontecer é o excesso de vontade de comprar. Aí surge o fenômeno chamado inflação.

Com todo o dinheiro que o governo injetou no mercado através do auxílio de R$ 600 por CPF houve uma compensação da queda da renda das pessoas, o que manteve o consumo em alta.

Os juros praticados pelo mercado financeiro estimularam as pessoas a comprar e consumir bens e serviços.

A oferta de linhas de crédito, tanto para pessoas físicas como jurídicas, gerou negócios, e negócios geram empregos, renda e impostos.

A indústria trabalha com perspectivas de médio e longo prazos e percebeu que havia mais demanda e passou a produzir mais.

Junho fechou com resultados muito acima do que a maioria esperava, surpreendendo até o governo.

Mesmo com todos os problemas que afetam nosso comércio, especialmente os lojistas, os negócios continuam firmes.

Novas construções, compra e venda de terrenos e aquisições de maquinários são sintomas de normalidade econômica.

O que reflete sentimento negativo hoje, especialmente em Marechal Cândido Rondon, são os espaços vazios para locação comercial em número muito acima do normal.

Talvez esse também seja reflexo de outros tempos, em que as empresas necessitam de menos espaço físico.

Julho nos dirá se tudo voltou ao normal ou se a pandemia deixou sequelas, não só nas empresas que passaram muito tempo fechadas, mas também na economia.

Claro que há setores extremamente prejudicados, cujos negócios foram sumariamente paralisados e ainda vão demorar para voltar à normalidade.

Além do comércio que está momentaneamente fechado, podemos citar alguns, como escolas particulares, transporte de pessoas, terrestre e aéreo, turismo de modo geral, setor de entretenimento, alimentício, restaurantes, bares e casas de shows, cantores, artistas, esportistas e também o trabalho religioso.

A grande questão é: como e quando esses setores voltarão ao normal e como será o novo normal de cada setor atingido?

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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