Tarcísio Vanderlinde

Kinneret: pequeno em tamanho, grande em história

Conhecido também por mar de Tiberíades, nome que decorre de importante cidade fundada na região à época de Cristo, o mar da Galileia, como é mais conhecido, constitui hoje recurso hídrico de enorme importância para Israel. Há canalizações que permitem o abastecimento de cidades com água doce e para irrigação de campos.

A forma de harpa do mar (Kinneret em hebraico) fez com se chamasse assim aquele lago em tempos mais antigos. Genesaré é ainda outro nome conhecido daquele espelho d’água que transborda simbolismo e história.

A respeito deste mar, os rabinos costumam dizer que embora Deus criasse os sete mares, Ele teria escolhido este como o seu deleite especial. A crença parece fazer sentido se pensarmos que grande parte do ministério de Jesus tenha ocorrido às margens do Kinneret.

A pouco mais de 200 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo, o Kinneret recebe as águas do Rio Jordão e depois as libera por um vale que segue até o mar Morto. Sua circunferência dá pouco mais de 50 quilômetros e tem aproximadamente 167 quilômetros quadrados de superfície. Para se ter uma ideia, no nível normal, o lago artificial de Itaipu, no Estado do Paraná, Brasil, forma um espelho d’água de 1.350 quilômetros quadrados.

No Kinneret se pode pescar peixes conhecidos no Brasil, como é o caso da carpa e da tilápia. Identificamos a tilápia como o “peixe de São Pedro”. Tivemos oportunidade de provar a iguaria no kibutz Ein Gev, que fica na praia do lago, experiência praticamente obrigatória aos visitantes da Galileia.

Nos tempos de Cristo havia uma faixa de povoamentos à volta do lago, muito comércio e transporte por barco. No entanto, sabe-se que a Galileia era uma região mais pobre do que a Judeia, de modo que a população do local atravessava momentos difíceis durante o primeiro século de nossa era.

Pelas histórias que ali aconteceram, o mar da Galileia parece ser muito maior do que é de fato. De acordo com os relatos evangelísticos, foi na praia deste pequeno mar de água doce que Jesus recrutou alguns de seus discípulos: o pescador Pedro, seu irmão André e os irmãos João e Tiago.

Sabe-se de ter acontecido ali pescas milagrosas, tempestades, passeio sobre as águas, e de um encontro na praia onde foi servido pão para cinco mil homens sem contar as mulheres e crianças que os acompanhavam.

Próximo à praia se ouviram palavras que atravessaram os dois milênios seguintes: “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus”.

O apóstolo João conta que o principal personagem responsável pelas histórias que aconteceram naquela paisagem, depois de ressuscitado, apareceu certo dia bem cedinho aos seus amigos na praia, porém eles não o reconheceram de pronto. Só se tocaram depois que a rede de pesca se encheu de peixes.

 

O autor é professor da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

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