Dom João Carlos Seneme

Levantai-vos e erguei a cabeça, a vossa libertação está próxima

Neste domingo, a Igreja inicia o novo Ano Litúrgico com a celebração do 1º Domingo do Advento. Diferentemente do ano civil, com o Tempo do Advento, a Liturgia da Igreja inicia um “ano novo”, no qual nossa vida de fé é marcada e ritmada pela celebração do Mistério de Deus. O ciclo das leituras bíblicas dominicais corresponde ao Ano C. No conjunto, vamos acompanhar os passos de Jesus pelo evangelista São Lucas.

O Advento é o período de quatro semanas que antecede o Natal, é tempo de espera e de preparo espiritual para rememorar e celebrar a vinda do menino Jesus, a vinda do Deus criança, do Deus humilde humano que se faz homem para nos salvar. É o tempo reservado para parar e refletir, meditar, cantar e recontar a história do nascimento do menino Jesus. Tempo para intensificar a leitura e a meditação da Palavra de Deus e a penitência.

O texto do evangelho que vamos refletir neste domingo é carregado de ameaças numa linguagem dura e dramática. Tudo isso porque o discurso é elaborado no estilo apocalíptico que pode causar até certo medo. Mas a mensagem é sempre de esperança e exortação para despertar nos discípulos a necessidade de colocar sua confiança em Deus eterno e onipotente: “Levantai a cabeça, a libertação está próxima”.

Esta época do ano é marcada pela correria, falta de tempo para organizar tudo e, neste momento, podemos deixar de lado o essencial: a chegada do Menino Deus. Deus não se cansa do ser humano, Ele vem sempre ao nosso encontro para nos conduzir até Ele, através de Jesus na força do Espírito Santo. Precisamos parar e pensar no dia do nosso encontro definitivo com Deus, em que deveremos prestar contas do que fizemos com nossas vidas principalmente na dimensão do amor a Deus e ao próximo. Por isso o Evangelho conclui com um apelo à vigilância.

Para o evangelista, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém saiba o dia nem a hora. São Lucas nos encoraja e estimula a não perder a esperança. Seu evangelho acentua o tema da libertação. Desde a primeira página, o Canto de Maria e o de Zacarias falam do louvor de Deus, que “fez surgir um poderoso Salvador para nos salvar do poder dos inimigos e das mãos de todos quantos no odeiam”. Portanto, vigiar e rezar funcionam como antídoto à indiferença. A oração nos ajuda a reconhecer os sinais dos tempos para compreender o sentido profundo dos acontecimentos. Ela nos coloca “em pé” diante de Jesus, o Filho do homem. É uma atitude de quem espera com alegria e acolhe a novidade de Deus quem vem para nos libertar.

Esta deve nossa atitude durante o Advento: sempre vigilantes, atentos, preparados para acolher o Senhor que vem. Não se pode perder esta oportunidade e nem mesmo se deixar distrair com o que é superficial. Os bens deste mundo não podem nos escravizar, Deus nos criou como senhores do universo e somos nós que devemos saber escolher e não viver obcecado por eles e nem mesmo fazer deles nossa prioridade fundamental.

Vigilância e discernimento, ativos na missão, seguindo os passos de Jesus Cristo.

 

Dom João Carlos Seneme é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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