Copagril – Sou agro com orgulho
Editorial

Luto e luta

O Brasil superou ontem (29) a marca de 400 mil mortos em decorrência da Covid-19. É, sem sombra de dúvida, a maior crise sanitária que o país já viveu em mais de 500 anos. São tempos de angústia, medo, sofrimento, luto e, para piorar, luta contra a desinformação.

Há pouco mais de um ano atrás, as nossas vidas transcorriam sem que imaginássemos o que estaria por vir. Amigos assistiam ao futebol, empresas abriam com naturalidade, a economia parecia avançar, os restaurantes eram cheios, assim como os bailes e eventos. Famílias viajavam livremente, casamentos se concretizavam e o sonho do Carnaval acontecia. Dá pra lembrar como se fosse ontem quando as pessoas trocavam beijinhos ao se cumprimentar. Nos hospitais, rotina.

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Mas veio a pandemia. Palavra, aliás, que boa parte da população nem sabia o significado. Vieram outras expressões que passaram a dizimar nossa rotina para produzir uma nova. Distanciamento social, quarentena, uso de máscara, lockdown, álcool gel, ensino remoto, trabalho remoto, tudo passou a fazer parte do dia a dia das pessoas. Anvisa, colapso, Butantan, Fiocruz, negacionismo, palmas para os médicos, cloroquina, UTIs lotadas, vacina sim, serviços essenciais, vacina não, libera o comércio, protocolo de segurança, fecha o comércio, dois metros… Além de uma tragédia sem precedentes, uma bagunça que nem os mais pessimistas poderiam acreditar que pudesse acontecer.

Quando se imaginava que tudo se encaminharia bem, veio a segunda onda. Devastadora, como um tsunami, arrancando as pessoas de suas famílias como o vento leva a poeira. O último adeus já não era mais possível. E foi chegando cada vez mais perto, se aproximando. Os números já não eram mais números, mas era aquele amigo, o pai, o vizinho ou aquele de destaque na sociedade. Hoje é difícil alguém não conhecer, de perto, uma história triste provocada pela Covid-19.

E a salvação era anunciada. A vacina finalmente começava a imunizar as pessoas. Mas o alívio dava lugar à angústia. A demora na vacinação mantém o medo em alerta e mantém a sociedade ainda em lugar bem distante do que se vivia há pouco mais de um ano. As pessoas não percebiam o tamanho da importância da saúde. Ao menos não como percebem agora.

Ainda será um caminho longo para percorrer até a normalidade ou até a nova normalidade. O Brasil está lento, mas está caminhando. A sociedade sofreu, sofre e ainda sofrerá, mas a vitória está cada vez mais perto.

Depois de tudo que estamos passando, seria interessante saber onde estaríamos se nada disso tivesse acontecido. Mas a melhor pergunta a se fazer agora é onde estaremos? Se um dia você puder responder essa pergunta, sinta-se grato. Mais de 400 mil pessoas não terão essa chance.

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