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Editorial

Mais essa

A exemplo de outras corporações em vários Estados do Brasil, a Polícia Civil do Paraná não divulga mais nomes e fotos de presos ou suspeitos da prática de crimes. A decisão veio depois da sanção da nova Lei de Abuso de Autoridade, que entrou em vigor em 03 de janeiro, em todo o país. Caso a norma seja descumprida, o policial, repito, o policial pode pegar até quatro anos de prisão. Para a lei, é proibido constranger o preso exibindo o corpo dele à curiosidade pública.

O excesso de zelo que se tem com criminosos notórios, criminosos reincidentes, muitos deles conhecidos no meio policial, com dezenas de passagens pelas delegacias, é fator decisivo para que a impunidade impere nesse meio. Depois da audiência de custódia, onde basicamente um juiz pede se o preso foi bem tratado pelo policial no momento da prisão, com a possibilidade de mais penas aos policiais, agora vem mais essa. A polícia, de mãos algemadas, só tem que cumprir o que determina a lei. Francamente, agora os bandidos estão protegidos pelo anonimato, o que, em tese, os estimula ainda mais a continuar na vida bandida que decidiram escolher para eles.

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Do outro lado da corda está a sociedade de bem, que tinha com as informações e fotos uma pequena chance de se precaver desses marginais. Agora, com a proteção aos direitos desses criminosos, a sociedade de bem caminha em um lugar escuro, onde não há como enxergar as grandes ameaças que a rodeiam. Um grande retrocesso. Pensam nos criminosos, mas não nas vítimas, pensam em proteger suspeitos, mas não em promover ações que possam minimamente melhorar a segurança dos trabalhadores e trabalhadoras desse país.

Obviamente é preciso ter muita cautela ao divulgar nomes e fotos de suspeitos, já que a pessoa só é considerada culpada lá no final distante do processo. E essa divulgação a Polícia Civil do Paraná fazia com maestria.

Mesmo que um indivíduo confesse que cometeu um crime, o nome, a foto ou imagens do criminoso não podem parar nos noticiários. Que coisa, ele não pode ser constrangido!

Enfiar um revólver na cara de alguém, roubar, bater, furtar, matar pode, mas não pode divulgar o nome do infeliz. Que leis são essas que estão entrando em vigor no Brasil? Que tipo de lei protege bandidos e retira instrumentos de defesa das pessoas de bem? Não faz sentido algum.

Da maneira como a coisa está andando, daqui a pouco vão trocar as armas da polícia por ramalhetes de flores, ou bandeiras brancas, talvez. As viaturas serão equipadas com pombas da paz e túnicas budistas serão as novas fardas porque as atuais são muito agressivas e amedrontadoras. Quem sabe as investigações de crimes serão suspensas porque isso é invasão de privacidade.

Há de se convir que o bandido está cada vez mais protegido, mesmo em um país que registra cerca de 50 mil mortes violentas por ano e tem presídios superlotados de Norte a Sul. Ao invés de enfrentar com seriedade e responsabilidade essa guerra sem-fim contra a violência, o país protege quem produz a violência. Francamente, não dá para entender se é lei ou é piada!

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