Brincando na Praça 2019
Elio Migliorança

Manipulação das Mídias

Os veículos de comunicação, que já foram considerados o quarto poder, migraram e estão hoje no topo, como primeiro poder. Governos com vocação para a ditadura manipulam os meios de comunicação. É o que aconteceu na Venezuela e o que está acontecendo na Argentina. E no Brasil, o que pode acontecer no futuro? Com estas indagações fui buscar uma resposta com o senhor Avram Noam Chomski, 84 anos, que é professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos. Um estudo que realizou explica os passos para conseguir manipular as mídias e assim dominar e controlar a população. São dez estratégias praticadas por muitos governantes de plantão. 1ª) A estratégia da distração. Consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas. Manter o público ocupado, sem nenhum tempo para pensar. 2ª) Criar problemas e depois oferecer soluções. Deixe a violência se alastrar para que o público clame por leis mais duras, mesmo com prejuízo da liberdade. Crie uma crise econômica para que o povo aceite como natural o desmantelamento dos serviços públicos. 3ª) A estratégia da gradualidade. Para fazer que se aceite uma medida inadmissível, basta aplicá-la gradualmente, a conta gotas. Dessa forma as mudanças radicais são aceitas sem provocar revoltas. 4ª) A estratégia de adiar. Para a aceitação de uma decisão impopular, apresente-a como dolorosa e necessária, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um imediato. 5ª) Dirigir-se ao público como criaturas de pouca idade. Isso tenderá a adotar respostas ou reações desprovidas de sentido crítico. 6ª) Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão. É uma técnica para curto-circuitar a análise racional e neutralizar o sentido crítico dos indivíduos. 7ª) Manter o povo na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender a tecnologia e os métodos utilizados para seu controle e escravidão. 8ª) Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Fazer crer ao povo que está na moda a vulgaridade, a incultura, o ser mal falado ou admirar personagens sem talento ou mérito algum, o desprezo ao intelectual e a desvalorização do espírito de sacrifício e do esforço pessoal. 9ª) Reforçar o sentimento de culpa pessoal. Fazer crer ao indivíduo que ele é o único culpado de sua própria desgraça por insuficiência de inteligência, capacidade, preparação ou esforço. 10ª) Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. Com o avanço das ciências, o sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele se conhece. Há muito disso no Brasil, basta observar o comportamento de nossos políticos, no Executivo, no Legislativo e, por incrível que pareça, também em alguns setores do Judiciário. A propaganda oficial divulga apenas o que interessa, e paga-se para esconder o que não interessa. Assim como milhões de pessoas que criticam programas de televisão, que amaldiçoam novelas e big brothers, mas sabem de cor e salteado todos os capítulos, os personagens, as mutretas e o comportamento de cada um deles. Se quiser, coloque o botão em off e pronto, programa sem audiência é programa morto. Coerência se constrói quando se vive aquilo que se prega. 
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

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