Arno Kunzler

Momentos de tensão

Entramos na semana da Páscoa e o comércio está fechado na maioria dos municípios.

Alguns conseguiram abrir a partir de ontem (06), mas com todas as restrições que o momento exige.

Casa do Eletricista – TORNEIRAS ELÉTRICAS

Outros não sabem quando o comércio voltará a funcionar com restrições e muito menos como era antes.

A semana que passou foi de muita tensão, resultado de um pedido feito pela Adunioeste (Sindicato dos Professores da Unioeste) para o Ministério Público de Marechal Cândido Rondon, solicitando que este suspendesse o funcionamento do comércio.

Os promotores entenderam procedente o pedido, o juiz acatou e o comércio fechou.

Ainda no sábado (04) o município protocolou recurso para derrubar a liminar dada pela Justiça determinando o fechamento do comércio.

No Tribunal de Justiça do Paraná o recurso da prefeitura também não obteve êxito.

Esse fato gerou revolta e muita insatisfação de empresários e funcionários que precisam trabalhar para ter renda.

O fato ilustra bem que realmente estamos todos enfrentando a mesma tempestade, mas não estamos no mesmo barco.

Enquanto alguns enxergam o futuro tranquilo, sem ameaças, uma grande parte da sociedade está diante de grandes perdas, não só na saúde, mas também financeiras e econômicas.

Isso abala os sentimentos. A insegurança dá medo e a indiferença com que algumas autoridades tratam do problema, revolta.

Não posso me manifestar sobre as razões que temos para manter tudo fechado, mas sei as consequências que isso terá.

Talvez ninguém de nós sabe ao certo o que deveria ser feito e em qual tempo.

Se tivéssemos certeza que esse esforço de fato salvaria vidas, talvez a compreensão fosse diferente.

Mas ninguém consegue afirmar quantos estão ameaçados mesmo com tudo fechado e quantos estariam ameaçados com o comércio aberto.

Empresas pequenas com cinco ou seis funcionários torcendo para entrar um cliente durante o dia… é difícil.

Essa aparente pressão daqueles que não estão nesse barco, daqueles que não têm nada a perder, para manter tudo fechado, é que gera grande desconforto nos geradores de emprego e em muitos trabalhadores.

Fica evidente e claro que o incômodo dos que estão no barquinho mais frágil está gerando reações e um grande distanciamento social, desnecessário, inclusive.

Um pouco mais de compreensão e menos radicalismo funcionaria melhor e atenderia a todos.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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