Copagril
Editorial

Morada do algoz

As ruas e avenidas, as calçadas e os espaços públicos de Marechal Cândido Rondon, como praças e parques, são de maneira geral bem cuidados. A limpeza, se não é daquelas de dar orgulho a qualquer rondonense e inveja aos visitantes, é ao menos eficiente. A grosso modo, salvo exceções, as pessoas são educadas, não jogam lixo no chão e mantêm quintais e passeios públicos em frente a seus imóveis bem organizados. Mas é só olhar para o lado para ver que o problema da sujeira existe.

Os terrenos baldios da cidade causam transtornos para a comunidade e dor de cabeça para as autoridades municipais há muito tempo. Até uma lei foi criada para tentar manter esses locais limpos, mas observa-se que ela efetivamente não saiu do papel. Proprietários de imóveis em várias regiões da cidade, particulares ou até mesmo do Poder Público, não estão cumprindo com o que determina a legislação local, que obriga a manutenção periódica dos terrenos para mantê-los livres de mato, entulhos e resíduos de quaisquer naturezas.

Casa do Eletricista LORENZETTI

Lamentavelmente – e aqui sem julgar especificamente um dono -, um terreno malcuidado foi o facilitador para um crime. Três homens se esconderam em um imóvel com matagal até a chegada de um jovem em sua casa, com o intuito de cometer um assalto. O rondonense foi baleado e luta por sua vida, enquanto os bandidos fugiram. A sujeira acumulada foi um facilitador. Isso pode acontecer com qualquer um, pois há terrenos baldios abandonados de Norte a Sul, de Leste a Oeste da cidade.

Terrenos baldios tomados pelo mato são esconderijos para bandidos. Eles são ainda meios de criação e proliferação de animais peçonhentos, baratas, ratos e diversos vetores, inclusive o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. São ainda comumente usados para que bandidos possam esconder objetos de crimes praticados em residências próximas e não serem flagrados, naquele momento, caminhando, por exemplo, com uma televisão de 50 polegadas à luz do dia.

Há também a questão esté- tica, de fato menos importante, mas que também precisa ser levada em consideração. Uma cidade limpa e agradável aos olhos se destaca pelos detalhes – que são muitos. Para quem tira nota 8 ou 9, não custa se empenhar um pouco mais para tentar chegar próximo a 10.

Há poucos dias a comunidade de Marechal Cândido Rondon viu um simples terreno baldio, aparentemente inofensivo, ser uma vantagem a favor do crime que insiste em afligir a sociedade local. Um alerta dos mais dolorosos para um problema que todos estão carecas de saber, todos já sabem a solução, mas ninguém toma uma medida efetiva e providencial para que o problema fique no passado.

Não cabe aqui culpar este ou aquele, pois todos sabem do problema e pouco ou nada se fez para resolvê-lo. Não é hora de encontrar culpados, é hora de viabilizar soluções definitivas. No mais, orar pela saúde e pela vida desse jovem vítima da violência que se esconde no terreno ao lado.

 

TOPO