Elio Migliorança

Mudança de rumo

Em plena campanha eleitoral para elegermos prefeitos e vereadores, é fundamental prestar atenção nas propostas apresentadas pelos candidatos, pois elas deveriam mostrar de que forma cada um pretende governar seu povo. Mas, há um ditado popular dizendo que de boas intenções o inferno está cheio.

Infelizmente é o retrato de uma parcela considerável dos políticos brasileiros. Propostas de campanha que deveriam ser a agenda de trabalho dos eleitos têm-se transformado em letra morta ao longo das últimas décadas, a tal ponto que os próprios políticos reagem indignados quando são cobrados, como se acreditar em promessas de campanha fosse uma estupidez cujo maior culpado é o próprio eleitor.

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E a pior parte é que número expressivo do eleitorado acha isso normal e defende a ideia que mentir na campanha para ganhar as eleições é uma estratégia válida e sem consequências.

Precisamos reagir contra isso e confrontar cada um dos eleitos com o seu discurso de campanha. As decisões tomadas nos municípios brasileiros no próximo dia 15 de novembro vão interferir diretamente na nossa vida durante os próximos quatro anos. Se os eleitores votarem e depois exigirem dos candidatos que cumpram suas promessas, é possível criar uma cultura nova de purificação na política.

O que vimos recentemente no Brasil é lamentável. As instituições estão mancomunadas para acabar com a Operação Lava Jato. A indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal foi o prego que faltava no caixão para enterrar aquela que despertou nos brasileiros em geral a esperança de que o Brasil seria passado a limpo.

Não foi desta vez, e eu acredito que retrocedemos mais de 30 anos no combate à corrupção. Temos agora a oportunidade de separar o joio do trigo em nível local. Analisar bem as propostas de cada um e guardá-las para cobrar depois. Candidato que faz proposta que sabe que não vai cumprir tem que ser banido da política. Candidato que compra votos é criminoso e eleitor que vende o voto é parte deste processo criminal.

Saiba que “vender o voto é prostituição política”. O crime é igual de quem compra como de quem vende. Às vezes votamos em alguém em quem acreditamos e depois de conquistar o poder a pessoa muda suas atitudes, seu comportamento e não cumpre sua palavra. Isto pode acontecer, sim. Mas se na hora do voto eu acreditei e votei de forma consciente sem receber algo em troca, terá sido um voto responsável. O crime será daquele que se transformou em Judas após a eleição.

Vejo muitas pessoas decentes nos diversos municípios da região que aceitaram o desafio da disputa eleitoral. Estas pessoas precisam ser apoiadas e acompanhadas depois no exercício do mandato. Não podemos nivelar todos por baixo achando que a política é suja e que não há espaço para pessoas decentes. Ao contrário, sujos são alguns políticos, mas isto pode e deve mudar, começando pela base, já que a esperança de mudanças nacionais é cada vez menor, como provam os escândalos recentes, os quais mostram que a velha política está mais viva do que nunca.

Fica a pergunta: afinal, é possível ser honesto na política? Claro que sim! Depende de cada eleito decidir sua postura e suas atitudes no exercício do poder.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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