Copagril – Sou agro com orgulho
Elio Migliorança

Muitas interrogações

Ao escrever este artigo, um tsunami de proporções apocalípticas varria o Brasil em todas as direções, e muitas interrogações se faziam aqui e pelo mundo. Por um dia foram esquecidos os 250 mil mortos por Covid-19 e a notícia era a mudança no comando da Petrobras, com suas causas e consequências.

Na Petrobras o governo possui mais de 50% das ações, mas tem muitos donos aqui e fora do país: os investidores que também possuem ações e esperam com elas obter lucros.

Casa do Eletricista – BOBCAT

O combustível no Brasil é uma questão de segurança nacional, pois este país está assentado sobre rodas, dos caminhões que transportam tudo o que produzimos e consumimos, e de outros milhões que têm no carro o seu meio de transporte. Por isso qualquer aumento no preço do combustível atinge a todos, pois mesmo quem não tem carro paga o aumento através dos produtos que vende ou consome.

Considerando que 75% do petróleo que consumimos é produzido no Brasil, e somente 25% é importado, fica difícil para o brasileiro comum, tipo eu e outros milhões de consumidores, entender por que o preço de petróleo tem que ser atrelado ao dólar e não ao real.

Outra equação perversa está nos impostos sobre os combustíveis, pois quando os preços do petróleo caíram no mercado internacional, aqui os preços também foram reduzidos, mas muitos governos estaduais aumentaram a alíquota do imposto alegando que a queda nas receitas comprometia o equilíbrio do Estado, e assim raramente o consumidor é beneficiado com a queda nos preços das refinarias.

Como o Brasil anda sobre rodas e os preços dos combustíveis têm impacto direto na vida nacional, fica difícil entender por que só em 2021 já tivemos aumento de 32% nos preços dos combustíveis.

E agora vem uma questão das mais relevantes: quando será, finalmente, aberta a “caixa preta” da administração da Petrobras? Terá o novo presidente, general Silva e Luna, coragem suficiente para tal?

Quando diretor-geral da Itaipu, muitas coisas melhoraram, mas nunca foi aberta a famosa “caixa secreta” dos privilégios e mordomias.

A energia elétrica hoje tem o maior peso nas despesas das atividades econômicas que a utilizam. Energia elétrica também tem pesada carga de impostos, atinge a todos porque é um bem de consumo indispensável e o governo também detém o monopólio da produção de energia. O agora general presidente da Petrobras terá coragem e respaldo para abrir a “caixa secreta” e revelar todos os privilégios que pagamos sem saber?

Ninguém esquece dos gigantescos escândalos na Petrobras que foram desvendados na Operação Lava Jato e que mostraram ao país quantos bilhões eram desviados por verdadeiras quadrilhas instaladas dentro da própria empresa.

Se conseguir acabar com todos os cabides de empregos criados para acomodar afilhados políticos, teremos outro ganho considerável.

Uma das mais significativas interrogações é: e se o governo estiver dando este passo com fins políticos e de forma populista para aumentar seu prestígio pode, num futuro próximo, haver uma reviravolta e os preços voltarem a explodir como aconteceu num passado recente?

Se tudo for feito para o bem da nação e a Petrobras continuar sólida, pode ser que este tenha sido um passo gigantesco para fazer justiça social e de fato a gente poderá repetir o slogan já conhecido de todos: “o petróleo é nosso”.

 

O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

 

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