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Editorial

Muito caixão e muita omissão

O Brasil é um lugar extremamente inseguro para se viver. Os números da violência no país são comparáveis a zonas de guerra, como a Síria. Em toda a história, 2016 foi o ano com o maior número de mortes violentas causadas por intenção. Os dados estão no Anuário de Segurança Pública, divulgado nesta semana.

Para se ter uma ideia, em apenas um dia ocorrem sete latrocínios, 169 assassinatos, 196 desaparecimentos, 136 estupros e 2.922 roubos de veículos. Tudo isso em apenas 24 horas. No ano passado, foram registradas mais de 61 mil mortes violentas.

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Muita gente que morre no Brasil é ligada ao crime, não oferece muito ao país a não ser medo, destruição, insegurança e mortes e custos, mas, de toda forma, são vidas. Por outro lado, milhares são vítimas inocentes, pais de família a caminho do supermercado, professores nas salas de aula, crianças atingidas por balas perdidas, trabalhadores, policiais na atividade ou de folga. São vítimas que poderiam ajudar o Brasil a ser um país melhor, mas que tiveram seus planos e seu futuro arrancados pelas mãos de bandidos impiedosos. Esse custo social é incomensurável. Além disso, o custo afetivo, na maioria das vezes, vai penalizar os amigos e familiares com a saudade, pelo resto de suas vidas.

O Brasil é um país inseguro por vários motivos, mas podem-se elencar dois dos principais para entender os números: falta de educação e leis ineficientes. Falar do primeiro é quase um clichê quando o assunto é insegurança. Longe das salas de aula, as crianças convivem com o tráfico banalizado, com as armas e milícias nos morros, com a desinformação que leva a decisões equivocadas, com a violência gratuita e aparentemente vantajosa. Junte isso a uma dose cavalar de desestruturação familiar e inobservância de princípios básicos para a vida em sociedade, como o respeito, que parece até estar fora de moda.

Por outro lado, a polícia seca gelo e a Justiça passa vergonha. Os policiais dão o peito a tiro em confrontos, muitas vezes com armas muito inferiores aos potentes fuzis que se tornaram banais nas mãos dos bandidos presentes nas grandes e hoje até nas pequenas cidades. Quando não morrem, quando conseguem êxito, prendem os procurados pela Justiça, mas a ampla maioria deles fica atrás das grades por pouco tempo. A Justiça manda prender e manda soltar.

Nem mesmo nos presídios de segurança máxima o Ministério da Justiça tem controle. De lá de dentro, como de qualquer outra espelunca que acomode criminosos, eles continuam a comandar o tráfico, as execuções, os arrastões, as rebeliões, como se tivessem trabalhando de dentro de casa, mas uma casa que tem uma manutenção cara para toda a sociedade. Bloqueadores de sinal de celular seriam suficientes, mas essas repetidas notícias evidenciam o medo – óbvio – que os próprios agentes de segurança têm no exercício das funções.

A população brasileira está com razão ao temer pela sua segurança. Até as pequenas cidades, antes poupadas, são alvos de perigosas quadrilhas, determinadas a conseguir o que querem custe o que custar. Hoje a violência não poupa mais ninguém. Todos os dias são dezenas de milhares de vítimas de bandidos, mas também vítimas de um Estado omisso, irresponsável e medroso.

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