Copagril
Editorial

Na teoria e na prática

Entre Rios do Oeste apareceu na mídia local, estadual e nacional nos últimos anos pelo ousado projeto que está sendo implementado no município. Um enorme gasoduto,de 22 quilômetros de extensão, vai ligar dezenas de propriedades rurais suinícolas, que vão despejar o gás gerado pela atividade após a “fermentação” dos dejetos em uma central, que, por sua vez, vai produzir gás e energia elétrica para sustentar toda a cidade. Na teoria, um revolucionário sistema de produção de proteína animal sustentável, ambientalmente correto, além de contribuir com a matriz energética brasileira e ser mais uma fonte de renda para o homem do campo. Na prática, o projeto nem saiu do papel.

O arranjo técnico e comercial de geração distribuída de energia elétrica a partir do biogás de biomassa residual da suinocultura em propriedades rurais no município de Entre Rios do Oeste, no Paraná, foi aceito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano de 2012. Em 2015, o Governo do Paraná e a Copel reafirmaram o compromisso. Mais de cinco anos se passaram, e aquele arrojado projeto que chamava atenção até da imprensa do exterior gera hoje mais dúvidas que boas expectativas.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

Os passos para a implementação do arranjo são demasiadamente lentos. Ainda, no fim de 2017, profissionais estão fazendo o estudo de viabilidade de cada propriedade, o que quer dizer que nem mesmo há projetos sólidos sobre o sistema. O Centro Internacional de Energias Renováveis (Cibiogás), que executa o extraordinário projeto, demonstra certa incapacidade em tornar claro seu andamento, com informações mais precisas para produtores, prefeito, vereadores, outros envolvidos e mídia.

Não era de acontecer outra coisa a não ser o produtor rural ficar desestimulado. A seus olhos, muito se falou e pouco ou quase nada se fez. Não bastasse a morosidade, à medida que o projeto ganhava notoriedade, surgiam empecilhos para gerar e vender energia, entraves ambientais e jurídicos, que encheram o produtor de dúvidas, receios e desgosto. A falta de informações objetivas desestimula outros tantos.

Ainda não está claro o que vai acontecer com o audacioso projeto. Se vai ser encerrado, se vai ganhar força ou se vai levar dez anos para ser implementado. Hoje não há biodigestores nas propriedades, muito menos o gasoduto ou a central de produção de energia. Não há benefícios ambientais, financeiros ou de outra natureza. Há somente perguntas.

Obviamente um projeto de tal magnitude exige tempo para sua implementação, mas a sociedade gostaria de pelo menos ter saído do zero a zero. Toda a propaganda produzida gerou grandes expectativas em toda a comunidade, mas o sentimento muda para um mal-estar à medida que essas expectativas vão sendo lenta e seguidamente frustradas. Nada tão absurdo para uma sociedade que aprendeu que no Brasil uma coisa é a teoria, outra coisa é a prática. Faz parte, mas é desgastante, oneroso e frustrante.

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