Arno Kunzler

Não precisava

Por mais que as autoridades públicas justifiquem o fechamento do comércio por causa da evolução da pandemia de coronavírus em nossa região, não há razões para fechar os pequenos estabelecimentos comerciais.

Definitivamente não serão eles os culpados pela contaminação em massa, se ela de fato poderia ocorrer.

Casa do Eletricista – Clorador Agosto

As pequenas empresas são as que mais sofrem e as que menos oferecem perigo, já que na maioria delas há frequência baixíssima de pessoas, que dirá aglomerações de clientes.

A falta de estrutura hospitalar e a defasagem de leitos para atender os que necessitam de internamento não podem ser justificadas com o fechamento do comércio daqueles que precisam dele para sobreviver.

O que poderia se justificar ainda seria um cuidado maior com aglomerações, sejam em locais públicos ou privados.

As aglomerações sem a devida preocupação e cuidados, essas, sim, podem ser evitadas sem prejuízo maior.

As pequenas cidades do interior, notadamente aquelas que conseguiram evitar os avanços da pandemia com políticas de restrição e conscientização da sua população, acabam sendo tratadas da mesma forma como as grandes cidades onde a incidência da doença é maior e os cuidados são menores.

Não é uma política inteligente e nem sensata.

É compreensível que os políticos tenham medo dessa situação, até porque um avanço desenfreado poderia causar um enorme prejuízo eleitoral já nas eleições que se avizinham.

Mas que culpa têm os pequenos comerciantes?

Essa é a pergunta: que culpa têm os comerciantes que trabalham duro para sobreviver num país onde ser pequeno empresário é um verdadeiro pesadelo?

Talvez, dentro do tecido social, tirando as pessoas carentes e sem capacidade para trabalhar, os pequenos empresários sejam hoje a parte mais vulnerável da economia.

Se o funcionário não pode trabalhar, seu salário terá que ser pago no fim do mês do mesmo jeito, com todos os encargos, e não são poucos.

Se comprou mercadoria confiando que poderia vender bem com a entrada do inverno, especialmente depois da pandemia, agora terá que pagar as duplicatas sem poder abrir sua loja.

Sem contar que a maioria agora tem duas parcelas de Simples para pagar, uma acumulada dos meses de abril e maio e as do mês em curso.

Vamos torcer para que os prefeitos da região consigam articular mudanças no que propõe o Governo do Estado, caso contrário, com 14 dias de fechamento do comércio – e a possibilidade de prorrogação por mais sete – praticamente passou o inverno e as dificuldades serão infinitamente maiores.

Esse é um preço muito alto a ser pago por uma pequena parcela da população, punida pela deficiência do sistema de saúde e por decisões políticas pouco eficazes.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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