Pref. MCR Novembro Azul.
Editorial

Nem só de dramas vive a escola

 

O Brasil vive repetidamente com a violência nas escolas, ataques e ameaças a professores, desrespeito e tráfico de drogas até dentro das salas de aula. As instituições brasileiras detêm o nada glamoroso título de uma das piores educações do planeta. Entre as 100 maiores universidades do mundo, não há nenhuma daqui. O sucateamento dos prédios públicos, a falta de atratividade das aulas, a desvalorização dos professores, especialmente dos anos iniciais, são algumas das características que nada ajudam a melhorar o nível dos estudantes, que, muitas vezes, apesar de anos alfabetizado, não conseguem compreender e interpretar um texto simples.

Mas há também o oposto. Com a velocidade da informação e uma incrível habilidade para dar mais atenção às “notícias ruins”, as boas práticas, que estão ajudando a melhorar a educação brasileira, quase passam despercebidas. Está na hora de valorizar também aquelas iniciativas que querem mudar a realidade dessa nação e dar mais esperança a esses e aos futuros estudantes brasileiros.

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Na região de Marechal Cândido Rondon dois grandes exemplos mostram o quanto é possível ter uma escola de qualidade, comprometida com o bom desenvolvimento não somente de alunos, mas de cidadãos.

Uma dessas práticas é a atuação da Polícia Militar (PM) junto a essas instituições. O Proerd, Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, está formando cerca de mil alunos de Marechal Rondon e municípios vizinhos neste mês. Durante o ano, por semestres, eles participaram de aulas explicativas, conversas de cunho preventivo, para conhecer, detectar e se afastar dos riscos que drogas e violência causam no meio escolar, familiar e social. O contato direto com um policial, responsável por ministrar as aulas, numa ação de integração entre PM e comunidade, garante legitimidade e eficiência ao programa.

E não é só a PM que se integra à comunidade escolar para tentar garantir um futuro mais empolgante e promissor para os estudantes. Na semana passada, a JCI Marechal Rondon promoveu o maior evento de inventivo, apoio e acesso à cultura de sua história. O Concurso de Oratória, Redação e Desenho nas Escolas contou com a participação de estudantes de 13 escolas, a partir de um tema principal – “Como aceitar as diferenças e começarmos a nos tratar como seres humanos sem máscaras ou estereótipos” – que permitiu abordar outras tantas temáticas relevantes, fazendo esses estudantes refletir e debater assuntos importantes, como o bullying, a intolerância, o racismo e o preconceito. Mais que premiar os melhores em cada categoria, mais que despertar o interesse pela cultura, o concurso estimula um debate franco sobre as dificuldades comuns nas salas de aula e nos corredores das escolas.

Não é só de notícia ruim que vive o mundo. As notícias boas estão por toda parte, basta ter um olhar mais crítico e seletivo para perceber que nem tudo está perdido. Aliás, há mais coisas boas acontecendo do que as ruins. As pessoas é que insistem em olhar para o lado errado. Informação é um produto qualquer. É preciso saber consumir.

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